Sem medo de Pagot, a ministra Ideli trabalhou duro para não ter de explicar o escândalo dos aloprados

Blindagem oficial – Na segunda-feira (11), a ministra Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais, disse que o Palácio do Planalto não tinha razões para temer o depoimento de Luiz Antônio Pagot, diretor afastado do DNIT, que prestou pífios esclarecimentos aos senadores na terça-feira. A afirmação de Ideli deixou claro que um acordo fora feito com os palacianos, pois Pagot, na última semana, ameaçou revelar o esquema de superfaturamento de obras que culminou com a demissão do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM).

Pagot rebateu todas as acusações, mas é sabido que o setor de transportes é um antro de corrupção e falcatruas, independentemente de quem seja o comandante da nação. Fato é que a assessoria presidencial tremeu diante da possibilidade de a verdade ser revelada por Luiz Antônio Pagot, pois estaria desvendado o esquema de financiamento de muitas milionárias campanhas petistas. Por ocasião das ameaças, o chefão do DNIT chegou a dizer que o órgão recebia ordens de petistas ilustres, declaração que Pagot negou.

Ideli Salvatti pode até ter demonstrado certa tranquilidade em relação ao depoimento de Pagot, mas a ministra responsável pela articulação política do governo Dilma teve de se empenhar para que um requerimento de sua convocação para falar sobre o escândalo dos aloprados não fosse aprovado. No pedido, os senadores da oposição solicitaram a convocação de Expedito Veloso, atualmente ocupando uma das secretarias do governo do Distrito Federal, que declarou em entrevista à revista Veja que Ideli participou do esquema que teve no cerne o chamado Dossiê Cuiabá. Filiado ao Partido dos Trabalhadores, Expedito Veloso deu detalhes dos dias que antecederam o escândalo, que tinha como objetivo atrapalhar a candidatura do tucano José Serra ao governo paulista, em 2006.

O único acusado de envolvimento no escândalo ouvido pelos senadores foi o ministro Aloizio Mercadante, de Ciência e Tecnologia, que negou qualquer participação no imbróglio que terminou com a apreensão de R$ 1,7 milhão, dinheiro que estava de posse de dois petistas, em São Paulo, mas que até agora ninguém reclamou.

O mais recente escândalo de corrupção do governo de Dilma Rousseff, o do Ministério dos Transportes, serviu como cortina de fumaça para Mercadante, que saiu da alça de mira da imprensa nacional. Para ajudar, o PT palaciano conta com o recesso parlamentar, cujo início está marcado para a próxima sexta-feira (15), para apagar da memória da opinião pública esses tropeços que marcaram o primeiro semestre de Dilma no Palácio do Planalto.