Ouvido pela Justiça sobre tráfico de drogas, Alberto Youssef mostrou-se disposto à delação premiada

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alberto_youssef_03Entregando o jogo – Responsável pelo processo da Operação Lava-Jato, que tramita na Justiça Federal, em Curitiba, o juiz Sérgio Fernando Moro ouviu em depoimento, nesta terça-feira (16), os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater no caso de tráfico internacional de drogas, operação que contava com a participação da ‘Ndrangheta, a máfia que atua na Reggio Calabria, na região sul da Itália. Youssef e Chater eram responsáveis pela parte financeira da operação criminosa, que contava com a participação da também doleira Maria de Fátima Stocker, que atuava com a dupla.

Stocker foi presa na Espanha – depois transferida para a Itália – sob a acusação de ser a pessoa responsável pelo pagamento da cocaína comprada pela ‘Ndrangheta na Bolívia. O entorpecente entrava no Brasil por via terrestre, depois de ser embalado no Paraguai. Os pagamentos aos traficantes eram feitos a partir da criminosa ciranda financeira comandada por Alberto Youssef, que tinha Habib Chater como um dos seus principais operadores.

Duas operações policiais, Monte Pollino e Bongustaio, deflagradas no Brasil e na Itália, respectivamente, investigaram as atividades da máfia calabresa no Porto de Santos. O chileno Tomasin Rivera Milan Rayco, morador em Praia Grande, cidade do litoral sul paulista, era o homem de confiança da ‘Ndrangheta no Brasil. Além Rayco, mais três pessoas foram presas na Baixada Santista.

Durante o depoimento, Alberto Yousseff disse que está disposto a fazer um acordo de delação premiada, desde que seja garantida a sua imediata soltura. O doleiro já teria comunicado a família sobre sua decisão, que se levada a cabo poderá derrubar a República.

Com a notícia divulgada no começo da noite desta terça-feira, muitos políticos envolvidos com o doleiro já começam a se movimentar e a rever planos futuros. Como já noticiou o ucho.info, há pelo menos cinquenta deputados federais envolvidos com Youssef, além de quase vinte senadores, ministros de Estado e governadores, além dos três (Roseana Sarney, Eduardo Campos e Sérgio Cabral Filho) que foram citados nos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.

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