Doria abusa da face lenhosa e leva para o governo de SP protagonista do escândalo da PPP da Iluminação

Eleito governador de São Paulo, João Agripino da Costa Doria Junior passou a maior parte da campanha atacando a esquerda e vociferando um discurso truculento contra a corrupção, como se sua passagem pela Prefeitura paulistana não tivesse registrado um só escândalo.

Durante os quinze meses em que esteve à frente da maior cidade brasileira, Doria não apenas acompanhou a licitação da Parceria Público-Privada da Iluminação Pública de São Paulo, mas tinha conhecimento das irregularidades cometidas no âmbito do processo licitatório para favorecer o consórcio vencedor, FM Rodrigues/Consladel. O ex-prefeito não pode negar desconhecimento, pois todas as irregularidades foram alvo de questionamentos judiciais e largamente noticiadas pela grande imprensa.

Com valor inicial de R$ 6,9 bilhões e com prazo de duração de 20 anos, o contrato da PPP da Iluminação foi suspenso por determinação da Justiça após denúncia de corrupção apresentada ao Ministério Público de São Paulo. As provas que embasam a denúncia são irrefutáveis e demonstram de forma clara que propinas eram pagas a integrantes do Ilume (Departamento de Iluminação Pública de São Paulo) para favorecer o consórcio vencedor.

A FM Rodrigues, que prestava (e ainda presta) à Prefeitura paulistana serviços de manutenção da iluminação pública, é acusada de corromper servidores do Ilume para que o consórcio que liderava fosse favorecido ao final do processo licitatório, mesmo que o preço ofertado fosse maior que o do concorrente (Walks).

Em uma das gravações, a então diretora do Ilume não deixa dúvidas a respeito da propina que era mensalmente despejada no departamento. Em outro áudio, fala de forma escancarada e aos berros que Julio Semeghini e Marcos Penido “recebem bola da Eletropaulo e todo mundo sabe”.

Com a eclosão do escândalo em fevereiro passado, João Doria preferiu se fazer de desentendido e limitou-se a demitir os acusados de participação no esquema criminoso. A acusação contra Semeghini e Penido foi desmentido através de um documento pífio e redigido às pressas, com data de um ano antes do imbróglio. O que denota o desespero dos envolvidos no caso.


Um dos responsáveis pelo escândalo de corrupção que se formou a partir da bilionária PPP da Iluminação é Marcos Penido, então secretário municipal de Serviços e Obras, que tinha sob seu “guarda-chuva” administrativo o Ilume. Com a saída de Doria da Prefeitura, Penido foi deslocado para a Secretaria das Subprefeituras, mas levou na bagagem o Ilume e, consequentemente, a PPP da Iluminação. O que causou enorme estranheza.

A participação direta de Marcos Penido na fraude que marcou a licitação a PPP da Iluminação foi confirmada por e-mail obtido com exclusividade pelo jornalista Mário Cesar Carvalho, da Folha de S.Paulo. O documento mostra que Penido pode interferido no processo licitatório a mando de Doria ou com o conhecimento do então prefeito.

Prestes a assumir o governo paulista, João Doria não poderia deixar à beira do caminho aqueles que protagonizaram escândalos durante sua meteórica passagem pela Prefeitura de São Paulo. E Marcos Penido é um desses contemplados, que como recompensa assumirá, a partir de 1º de janeiro, o comando da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.

O mais importante estado da federação está diante de um escárnio, sem que até o momento o principal responsável pelo escândalo tenha se dignado a dar explicações. Se é que o futuro governador sabe o estrito significado da palavra dignidade.

Não obstante, Doria ousa indicar para uma secretaria alguém que participou de um escândalo de corrupção que, até o presente momento, continua parado nos escaninhos do Ministério Público paulista, sem qualquer esboço por parte dos procuradores na direção de uma solução que contemple a punição dos responsáveis.

É importante esclarecer que sob o olhar subserviente do mesmo Marcos Penido e a aquiescência criminosa do Ilume, o dinheiro do contribuinte paulistano foi utilizado para adequar e modernizar a iluminação do palco do santuário Theotokos (Mãe de Deus), sob a batuta do popular padre Marcelo Rossi. O serviço ilegal só foi possível porque a então primeira-dama da capital dos paulistas, Bia Doria, determinou que a iluminação do palco do santuário fosse remodelada, segundo depoimento ao MP de um funcionário do santuário.