Terror ambientalista e Gramsci

(*) Ipojuca Pontes

Iria escrever sobre a cultura oficial levada para trás pelo ministro Osmar Terra, conivente com o nocivo aparelhamento burocrático esquerdista dentro do setor, mas faço uma pausa, conforme prometido, para tratar das ponderações do leitor Julio Maciel sobre o “aquecimento Global”.

O leitor considera que “o aquecimento global não é uma balela: temos o lixo ordinário de cada dia (…) e se não mantermos ermos a casa ou o meio ambiente o menos sujo possível (…), haverá consequências”. Ele lembra a poluição desordenada da atmosfera de Cubatão, os problemas ambientais causados pela chuva ácida na industrializada Europa, o ar irrespirável de Pequim etc. etc. No final, lucidamente, pondera: “O planeta é a nossa casa, estruturada em leis naturais. Rompidas tais leis, tais princípios, será o desastre”. Por fim, antes de enveredar por questões gerais a serem enfrentadas pelo novo governo, observa: “Nem tudo é gramsciano ou distorção ideológica”.

Concordo com muitas considerações do leitor. Concordo e tento cumprir minha parte. Por exemplo: no prédio onde moro (habitado por inúmeros ecologistas) eu sou, segundo o porteiro, o único morador que recolhe o lixo seco, o lixo orgânico e as garrafas de plástico e de vidro, tudo em separado, para coleta e reciclagem do pessoal da Comlurb. Dá trabalho, mas vale a pena.

O problema é que esse tipo de precaução, que impede a poluição criminosa de rios e dos oceanos, em nada tem a ver com o “aquecimento global”, fenômeno climático que, segundo a facciosidade ambientalista, seria provocado pela emissão do CO2, gás carbônico capaz de aumentar a retenção dos raios solares na atmosfera, o que elevaria a temperatura do planeta – a gerar, assim. tempestades, inundações, furacões e a degradação do meio ambiente.

Pura mistificação. Como sabe qualquer estudioso isento, o CO2 (dióxido de carbono) não contribui em nada para o aquecimento global: não é gás poluente, não é gás tóxico nem, muito menos, gás venenoso. De fato, o CO2 preserva as plantas e a vegetação ajudando, por extensão, a produtividade agrícola.

Só para lembrar: em março de 2012, se insurgindo contra o que chamavam de “a grande farsa do aquecimento global”, cinquenta cientistas especializados em climatologia, gente de idoneidade comprovada e representante de instituições científicas renomadas, enviaram carta aberta ao administrador da NASA, o honorável Charlie Bolden, solicitando que a Agência Espacial Americana se abstivesse de incluir observações não comprovadas em suas publicações. em especial as que se reportavam ao CO2 como causa principal das mudanças climáticas – de resto, no entendimento dos cientistas, uma falácia nunca comprovada e cuja divulgação só causava dano à NASA, aos seus funcionários e à reputação da própria ciência.

Por sua vez, o Professor Luiz Carlos Molion, representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial, apoiado em dados concretos e navegando contra a onda ambientalista, declarou no UOL Ciência que não é o CO2 que comanda o clima global, mas, sim, o sol, fonte principal de energia para todo o sistema climático. Diz o PHD em Meteorologia Luiz Carlos Molion:

– Se eu pegar os oceanos, os polos e mais a vegetação do planeta, isto soma a emissão de 200 bilhões de toneladas de carbono irradiadas por ano. O homem coloca no ar apenas seis bilhões, 3% do que os ambientalistas chamam de aquecimento global. Atualmente, ao contrário do que se diz, o sol, em baixa atividade, está contribuindo para o esfriamento da terra e não para o seu aquecimento. E quando aumenta a concentração de CO2, a temperatura tem se mantido estável.

Já o cientista britânico Phil Jones, tido como ambientalista fervoroso e diretor da Universidade da Anglia Oriental, braço direito do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (órgão da ONU), revelou a um colega ter se escorado num “truque” para esconder do relatório enviado ao Painel nada menos que o “real declínio da temperatura global” – fato que gerou em 2009 o rumoroso “Climagate”, escândalo que levou ao total descrédito a Cúpula de Copenhague, uma edição Europeia da falida Rio-20.

Baseado em tais fatos, o Dr. Roy Spencer, outro membro da NASA, ofereceu uma pertinente explicação: “Os cientistas climáticos e as ONGS ambientalistas descobriram um ‘problema’ para angariar fundos bilionários”. Para Spencer, a criminosa manipulação de dados científicos tornou-se uma prática corriqueira entre ambientalistas “tendo por objetivo apontar o homem como responsável pelo aquecimento global”. Tem muita grana nesse negócio.

Faz sentido. Na Rio+20, que testemunhei, além dos ambientalistas, políticos, cientistas sociais, gays, lésbicas, maconheiros e representantes de outras minorias, prevaleceu o debate sobre o mercado de carbono, as compensações pela exploração da biodiversidade e os mecanismos de emissões do gás. Em suma, numa agenda marcada por interesses econômicos, o circo ambientalista queria levantar dos paises inscritos cerca de US$ 30 bilhões para continuar espargindo o catastrofismo ecológico.

Não foi por outra razão, aliás, que o Chefe-Geral da Embrapa Territorial, Evaristo Miranda, com centenas de trabalhos publicados no Brasil e no exterior, denunciou que 70% das terras brasileiras (um território de 871.576.705 KM2) nunca pertenceram ao agronegócio. De fato, 30% delas são áreas de proteção ambiental controladas pela ONU; 18%, são ocupadas por 600 áreas indígenas nas mãos da Funai Vermelha; 18%, estão nas mãos do Incra manobrado pelo terrorista João Pedro Stédile e congêneres, arauto da reforma agrária que o tornou o maior latifundiário do planeta (informa o Incra que são 9. 500 assentamentos). Há ainda espaços considerados terras devolutas, outras tomadas pelos quilombolas (que começaram com 8 assentamentos e agora são 296) etc. etc.

O Chefe da Embrapa presta ainda informação valiosa: na Europa e nos Estados Unidos, em meio à crise mundial de alimentos, as associações de produtores agrícolas investem milhões
de dólares para impedir a expansão da agricultura brasileira através da sistemática atuação das Ongs, que, por aqui, ultrapassam a casa das 820 mil – um número espantoso. Uma delas, a de plantadores de milho dos EUA, ao recusar subsídios ofertados pelo Tio Sam, promoveu o programa “Farms here, Forests there”, ou seja, em tradução livre: nós queremos aqui fazendas produtivas; as florestas, deixem por lá.

Em suma, com apoio da mídia esquerdista, a hegemonia ambientalista avança furiosa, mas, como se diz, em ciência não há consenso. Os climatólogos, devido às correntes oceânicas, avaliam que há ciclos de esfriamento e ciclos de aquecimento de 30 em 30 anos. No momento, admitem que estamos caminhando para uma nova era glacial – o que é péssimo para vegetação e a sociedade.

Bem, o que tem Gramsci com tudo isso?

Tudo. Il Gobbo, pai da “filosofia da práxis”, insistia na criação de um novo “senso comum” para subverter todo o sistema de relações intelectuais e morais. Para o comunista italiano, todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, só na medida em que serve – ou não – para aumentar o poder do moderno Príncipe (o PC). Roubar, matar, aterrorizar e mentir (na área ambiental, também) faz parte da agenda criminosa.

(*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.


Ipojuca Pontes

Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos.