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A alegria alvinegra e a incompetência verde-loura

02.07.2009 - 5:43pm | Seção: Esporte em Destaque



(*) Ucho Haddad -

São Paulo, a maior cidade do País, amanheceu nesta quinta-feira em sua versão original. Com a teimosia da chuva e a alegria dos torcedores corintianos, que invadiram a madrugada comemorando a conquista da Copa do Brasil. Nada mais paulistano do que esse inexplicável coquetel de situações.

O que os amantes do futebol viram durante a partida entre Corinthians e Internacional, em Porto Alegre, é o contraponto do que a seleção brasileira exibe nos badalados gramados do planeta e alega ser o melhor espetáculo esportivo do planeta. Há muito que a sabedoria popular garante que o futebol brasileiro é o melhor do mundo, mas os comandados do “professor” Dunga estão a anos-luz do que poderia ser chamado de futebol ideal.

Quem acompanha o futebol brasileiro ainda está sem compreender como, na final da Copa das Confederações, o Brasil teve dificuldades para derrotar a seleção dos EUA, país onde o mais popular esporte é jogado com as mãos. E nessa conjunção de membros do corpo humano, por pouco os brasileiros não trocaram os pés pelas mãos.

O mais desatento retrospecto da Copa do Brasil, conquistada pelo Corinthians, mostra que o futebol brasileiro deve, sim, continuar como o melhor do mundo. Quando especialistas afirmam isso, o fazem com base nas apresentações da seleção brasileira, que desde antes da Copa de 2006 está sem convencer o torcedor tupiniquim. Em outras palavras, tem alguém levando o torcedor a erro repetidamente.

Há uma enorme diferença entre a coerência do pensamento e a sandice que toma conta do momento do gol ou de uma vitória. Por mais que gramaticalmente sejam correlatos, vencer e vitória são vernáculos que nem sempre caminham lado a lado. Ontem, no estádio do colorado gaúcho, ambas as equipes expuseram em campo as razões que as levaram à final da competição. O empate significou vitória, enquanto a obsessão por vencer se traduziu em derrota para o Internacional.

Nesse emaranhando de situações antagônicas que envolvem o futebol nacional, a imprensa tem se posicionado de maneira questionável. Quando, na capital da África do Sul, a seleção brasileira conquistou a Copa das Confederações não faltaram os aduladores para afirmar que Dunga – dono de um nanismo técnico que faz jus à alcunha – vem fazendo um excelente trabalho à frente do selecionado verde-louro. É verdade que cada um pensa o que quiser, pdoendo inclusive externar livremente o pensamento, mas é preciso um mínimo de coerência ao se comentar determinados fatos.

Tão logo chegou ao fim a Copa do Brasil, nesta quarta-feira, os conhecidos bajuladores de sempre deram o ar da graça. Afirmaram muitos deles que se nessa conquista do Corinthians existe alguém para ser chamado de craque, esse atende pelo nome de Mano Menezes, o técnico que nos últimos meses tem levado o alvinegro paulistano a seguidas vitórias e conquistas.

Sem dúvida alguma Mano Menezes tem competência de sobra, mas é preciso estabelecer o que é fazer um bom trabalho no comando de uma equipe de futebol que disputa campeonatos tão badalados quanto difíceis. Quarenta e oito horas não é tempo suficiente para que a opinião da imprensa brasileira mude tão rapidamente de lado. Comparar Dunga com Mano Menezes é ofender de todas as maneiras o treinador corintiano. Com tantos bons treinadores desempregados, Dunga foi salvo pelo gongo.

Entender o que acontece na misteriosa CBF é tarefa hercúlea, mas um rápido exame de consciência de cada brasileiro é suficiente para saber se Dunga é tão magistral quanto anunciam alguns insanos midiáticos. O futebol é um negócio milionário, é verdade, e por conta disso a imprensa aproveita para faturar como pode. Não importa que o torcedor será enganado com comentários recheados de “puxa-saquismo”, pois o que vale é o que esse tipo de comportamento rende.

Se Mano Menezes é o craque da vez, Carlos Verri, o Dunga, é o mais incompetente dos treinadores. Porém, se prevalecer o contrário, ou seja, que Dunga é magistral, o Corinthians é o que se pode chamar de ”dream team”.

Por conta dessa encruzilhada opinativa, deixo aqui uma rápida e simples pergunta a cada amante do futebol. Você gostaria de ver Dunga como treinador do seu time do coração?

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