À sombra de escândalos e denúncias, Renan Calheiros é eleito presidente do Senado Federal

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Favas contadas – Contra a vontade da extensa maioria dos brasileiros, talvez da totalidade, o senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, foi eleito para presidir o Senado nos próximos dois anos. Com 56 votos, Calheiros derrotou o senador Pedro Taques (PDT-MT), que teve 18 votos. Durante a apuração foram contabilizados dois votos em branco e dois votos nulos.

Em 2007, para não ser cassado, Renan Calheiros renunciou à presidência do Senado, na esteira do escândalo de pagamentos de contas de sua então amante, a jornalista Mônica Veloso, feitos por um conhecido lobista de Brasília.

Para justificar os pagamentos, inclusive da filha que teve fora do casamento, Renan apresentou notas fiscais frias de venda de gado, o que o livrou da cassação, mas não impediu o Ministério Público Federal de investigá-lo e concluir pelo oferecimento de denúncia contra o parlamentar alagoano, enviada ao Supremo Tribunal Federal há quase uma semana.

Em seu discurso, que antecedeu o balanço feito pelo senador José Sarney de sua gestão à frente do Senado Federal (o escândalo dos malfadados dos Atos Secretos ficou de fora do discurso), Renan sequer tocou no assunto. Apenas se limitou a citar a Lei da Ficha Limpa e disse que a ética é o fim, não o meio.

Renan Calheiros, que não é adepto do harakiri político, só poderia sair em sua própria defesa, mesmo que usando palavrório subterfúgio, mas o Brasil não pode aceitar a inversão de valores proposta pelo novo presidente do Senado, uma vez que a falta de ética é o fim e tem sido o meio de muitos alarifes engordarem seus respectivos patrimônios.

A eleição de Renan Calheiros para a presidência do Senado e, por consequência do Congresso Nacional, é um atentado contra o Estado Democrático de Direito, não sem antes ser um bofete na cara de uma sociedade que trabalha cinco meses para pagar impostos e vê o suado dinheiro sendo mal empregado e financiando conchavos político-eleitoreiros que são verdadeiros crimes de lesa pátria.

A classe política sai dessa eleição sinistra ainda mais desgastada e pagará um preço caro nas urnas de 2014. Desacredito como instituição, o Congresso vive um dos seus piores momentos, período esse turbinado pelos seguidos escândalos de corrupção e, acima de tudo, pelo vexatório despreparo da maioria dos seus integrantes. Jamais, em tempo algum, o parlamento brasileiro foi tão mal representado, o que resulta de uma receita que combina a conivência com o desmando e o despreparo oportunista que exalam seus operadores.

Corroído de maneira acintosa pela corrupção nos últimos dez anos, que só aconteceu com a aquiescência de Lula, o País inaugura um novo e negro capítulo de sua história, que é a continuidade macabra do que muitos já conhecem.

Para garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PMDB, que comandará as duas Casas congressuais no próximo biênio, promoverá o maior e mais acintoso escambo político da recente história nacional. Pobre Brasil!

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