Não é de hoje que a franco-italiana Carla Gilberta Bruni Tedeschi, ou simplesmente Carla Bruni, faz a alegria da imprensa internacional. E sobre isso não restam dúvidas. Na última semana, Carla deu mais um motivo aos imaginativos jornalistas que cobrem o cotidiano do Palácio do Eliseu. Ao lado de Nicolas Sarkozy, a bela primeira-dama surgiu majestosa em um jantar oferecido ao presidente russo Dmitri Medvedev. Tudo dentro dos conformes palacianos, não fosse a ausência do sutiã.
Se Carla Bruni fosse uma dessas matronas saídas das telas de Fernando Botero, o espanto seria compreensível. O que não significa que seria justificável. Mas não, a senhora Sarkozy, no esplendor de seus 42 anos, é dona de um corpo invejável. E o assunto rodou o mundo nesta terça-feira (9), provocando conclusões das mais diversas e antagônicas. Alguns preferiram a gafe para definir o episódio, enquanto outros bateram pé na tese do estilo.
Independentemente do veredicto planetário, o encontro entre Sarkozy e Medvedev produziu algum assunto mais interessante a ser explorado pela mídia, que não os seios de Carla. Toda essa polêmica mostra a pequenez do ser humano, que se derrete em loas diante da ausência de um sutiã. Enfim…
Sempre competente diante das câmeras, Hebe Camargo faz jus ao título de primeira-dama da televisão brasileira. Ela ficou fora da telinha por causa de tratamento contra um câncer na região abdominal, mas voltou com garra e disposição na noite de segunda-feira (8).
Falou sem tropeçar da doença e mostrou que está pronta para enfrentar esse fantasma que assusta muita gente. Mas a “loiruda” cometeu apenas um equívoco em seu triunfal retorno. Ao comentar sobre as sessões de quimioterapia, a apresentadora disse, com bom humor, “é como se eu tivesse tomado um suquinho de limão”. Não é assim.
Melhorar é uma questão de querer e o alto astral é o mais eficiente dos medicamentos, mas quimioterapia está longe de ser uma limonada. Está mais para frapê de cicuta.
A versão hispânica da música “We are the world”, gravada recentemente em prol das vítimas do terremoto do Haiti, foi divulgada no Youtube pela fundação “Somos El Mundo”. Da gravação, cujo objetivo é arrecadar fundos para os haitianos afetados pelo terremoto de 12 de janeiro passado, participaram importantes nomes da música latina, mas apenas três garantiram o encontro: Gloria Stefan (idealizadora do projeto), Shakira, Jose Feliciano e John Secada.
Na noite de quinta-feira (4), circulando pela cidade de São Paulo, deparei-me com um caminhão repleto de devassas. Não me refiro a um carregamento de mulheres despudoradas, mas de uma carga da mais nova cerveja brasileira. Um caminhão de pequeno porte despejava devassas em um dos milhares de botecos existentes na capital dos paulistas.
O Conar, entidade que acompanha e pune os abusos da propaganda que circula em nossa querida e amada Botocúndia, tirou do ar recentemente a campanha públicitária da Devassa, que tem como protagonista a nada casta Paris Hilton.
Não se trata de “bom mocismo” ou de comportamento retrógrado, mas de discordar da mais nova afronta às loiras. Primeiro criaram a tese da “loira burra”, que acabou recheando o mundo das anedotas. Agora, no universo etílico, a Devassa deve ser bem loura. Diante disso, faço um apelo: Louras, reajam!
Quem for à padaria da esquina mais próxima não fará muito esforço para, na hora de pagar a conta, perceber um novo espetáculo de incongruência da indústira tabagista. Padarias da zona badalada da Pauliceia Desvairada exibem nos caixas material promocional do mais recente lançamento da British American Tobacco (BAT), dona da Souza Cruz. Trata-se de “Vogue”, um cigarro slim – mais fino e comprido. Mas que mata como qualquer outro.
Conceitualmente, “Vogue”, palavra de origem francesa, siginifica um comportamento de destaque, atual, adotado nos anos 80 pelos ditos formadores de opinão. Em dado momento, pensei em buscar socorro no binômio vernacular “em voga”, mas por se tratar de uma expressão latina é melhor descartar o “afrancesamento”.
Devaneios morfológicos à parte, causa espécie o fato de a caixa dos cigarros “Vogue” trazer no verso a imagem de um tabagista vítima de infarte. É verdade que se trata de uma imposição legal do governo federal, que tenta reduzir a sua responsabilidade financeira no tratamento aos adeptos dos cigarros, mas há um antagonismo nesse caso.
Mas será que infartar está mesmo na moda? Se for verdade, o melhor é não ser “Vogue”, mas, de preferência, fora de moda.
É cada vez mais impressionante a capacidade do ser humano de bater palmas para maluco dançar. No momento em que a qualidade da educação no País se esvai pelo ralo, a televisão, que deveria ao menos tentar reverter esse triste quadro, empurra a sociedade rumo à alienação.
Um dos bons (sic) exemplos desse caos é o enfadonho Big Brother Brasil, que todas as noites mostra o grau de mediocridade da sociedade tupiniquim. Como se isso fosse pouco, na próxima segunda-feira, 8 de março, a MTV estreia, com o devido alarde, o programa “Lobotomia”, ancorado pelo músico Lobão.
Para quem não sabe, lobotomia é uma prática cirúrgica adotada no passado para reverter casos graves de esquizofrenia. Trata-se de uma intervenção cirúrgica no cérebro que secciona as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz, a lobotomia não é mais utilizada devido aos graves efeitos secundários.
Nada contra o músico Lobão, mas essa pseudo-modernidade da MTV deixa evidente que é cada vez mais incerto o futiro da humanidade. Ou será que existem por aí mais esquizofrênicos do que imaginamos?
Pode parecer piada, mas cientistas suíços estão levando o assunto a sério. Eles descobriram a fórmula para o sucesso de um casamento. De acordo com o estudo realizado pela Escola de Negócios de Genebra, a fórmula encontrada pode aumentar em até 20% o sucesso de um matrimônio, destacou a revista Veja em sua versão eletrônica.
Encerrados os cálculos científicos, os pesquisadores concluíram que “a noiva deve ser cinco anos mais nova que o companheiro, deve possuir experiências culturais semelhantes, deve ser pelo menos 27% mais inteligente e possuir um diploma universitário - mesmo que o marido não possua”.
Coordenador da pesquisa, Nguyen Vi Cao garante a eficácia da fórmula. “Se as pessoas seguirem essas instruções ao escolherem seus parceiros, elas podem aumentar em até 20% as chances de ser feliz e ter um casamento duradouro”, declarou Cao, que lembrou que casar com alguém divorciado pode reduzir as chances de felicidade conjugal.
Na verdade, o sucesso de uma relação está calcado em outros pontos, que não essa bizarrice do chamado Primeiro Mundo. Um casamento – ou qualquer outra relação – só dará certo se as partes aceitarem a ideia de que ceder não é uma perda, mas um avanço. Longe da flexibilidade e da compreensão, a possibilidade de fracasso é maiúscula.
Quanto vale a degradação do povo brasileiro? Dependendo do dia pode valer até R$ 28 milhões. Esse é o valor arrecadado na terça-feira (2) pelo enfadonho Big Brother Brasil, reality show apresentado pela Vênus Platinada, que insiste diuturnamente em vilipendiar a dignidade de uma nação que, segundo seu presidente, caminha a passos largos na direção do futuro. Pode parecer implicância de uma ínfima minoria, mas é quase impossível acreditar que 92 milhões de pessoas se deram ao trabalho de tirar o telefone do gancho para decidir quem deveria ser jubilado do programa que escancara para o mundo a mediocridade do brasileiro. É verdade que isoladamente o custo de uma ligação – R$ 0,31 – pouco representa, mas o valor arrecadado pela emissora carioca em algumas horas equivale a 55 mil salários mínimos. Diante desse quadro, não é difícil compreender o que acontece a cada dois anos nas urnas eleitorais.
Ucho Haddad, 51, é jornalista investigativo, analista e comentarista político, poeta e escritor. Editor do www.ucho.info, é articulista do site do jornalista esportivo Wanderley Nogueira, do Inforel e da Gazeta do Oeste.
"Foi na trajetória e na genialidade de um engraxate que encontrei os ensinamentos necessários para descobrir que o sucesso de alguém muitas vezes está no brilho do sapato alheio."
Ucho Haddad
[Este é um agradecimento a João Francisco, meu pai, que a partir de uma humilde caixa de madeira, repleta de graxas, panos e escovas, conquistou uma trajetória digna e o respeito de muitos.]
“A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte”.
Mahatma Gandhi
“O amor não age com interesses; o egoísmo é falta de amor.
O amor vive de dar e perdoar, e o egoísmo vive de tomar e esquecer”.
Sathya Sai Baba
“Ser feliz exige uma dose responsável de arrojo.”
“Paixão é à vista, amor é a prazo.”
“Quero viver hoje e tentar compreender melhor o ontem. O amanhã prefiro deixar por conta do destino.”