Carne Fraca: federação de policiais federais rebate críticas e defende operação contra criminosos

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O governo de Michel Temer esculpiu a várias mãos um discurso desesperado para esvaziar a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, mas ao que parece a corporação não está disposta a aceitar a empulhação, como vem afirmando o UCHO.INFO desde a última sexta-feira (17).

Nesta segunda-feira (20), depois de muitos insultos oficiais com o endosso do Palácio do Planalto, a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) contestou as críticas de representantes do governo e do agronegócio que apontaram excessos na divulgação dos resultados da Carne Fraca.

Em nota, o presidente da Fenapef, Luís Boudens, afirma que “na intenção de proteger setores do mercado e do governo, há uma orquestração para descredenciar as investigações de uma categoria que já provou merecer a confiança da sociedade”.

Na opinião de Boudens, “a Operação Carne Fraca é de suma importância, uma vez que as empresas e servidores públicos envolvidos negligenciaram de forma grave a saúde dos consumidores” e “reforça o compromisso dos federais com combate à corrupção no Brasil e com os interesses da sociedade”.

Representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmaram, mais cedo, que a comunicação dos resultados da operação pela PF foi feita de maneira equivocada e prejudica o setor.

“A comunicação ensejou tudo isso”, disse Francisco Turra, presidente da ABPA. “Passou uma imagem generalizada de que tudo no Brasil é ruim, e não é isso”, completou. Turra pode dizer o que quiser, mas não foi essa a mensagem da força-tarefa da Operação Carne Fraca, que contou com a participação do Ministério Público Federal.

É importante destacar que a Carne Fraca é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da PF, a mesma que responde pela Operação Lava-Jato, ou seja, o objetivo é o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro envolvendo servidores públicos e a iniciativa privada.


Ministro fala em “fantasias”

No domingo (19), o ministro Blairo Maggi, da Agricultura, afirmou que a narrativa da PF ao divulgar os resultados da operação criou “fantasias” sobre o setor de carnes. Maggi citou um dos grampos revelados pela PF, em que investigados falam da presença de papelão na produção de embutidos. O ministro chegou a afirmar que acreditar nisso é “idiotice”.

Mesmo assim, nas redes sociais sobraram imagens com caixas de papelão em churrasqueiras para ironizar esse áudio. De acordo com o ministro, é “claro” que o papelão, no caso, será usado em embalagens. Apesar dessa afirmação, a gravação não deixa claro o que sugere Maggi.

O ministro citou outro grampo telefônico polêmico, em que os investigados tratam do uso de carne de cabeça de porco na produção de embutidos. Enquanto muitos afirmam que trata-se de prática proibida por lei, o ministro garante que trata-se de procedimento permitido.

Alçado à mira

Na nota da Fenapef, Luís Boudens criticou o delegado que conduziu a operação, Maurício Moscardi. Segundo Boudens, os policiais não participam da divulgação das operações.

“Maurício Moscardi, por exemplo, não tem a menor condição de ser apresentado como coordenador de qualquer operação. Seu tempo na PF por si só já justifica sua inexperiência para tratar de assuntos delicados como o eventual abalo econômico advindo de uma grande operação como a Carne Fraca”, afirmou Bouders.

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