Carne Fraca: ministro da Agricultura prevê “desastre” se países suspenderem compra de carnes brasileiras

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Na última sexta-feira (17), logo depois da deflagração da Operação Carne Fraca, o UCHO.INFO afirmou que o escândalo provocaria um incidente sanitário internacional, podendo, inclusive, resultar na suspensão da exportação de carnes por parte de muitos dos 160 países que compram produtos derivados de proteína animal do Brasil. Mesmo assim, naquele momento a imprensa preferiu dedicar tempo e espaço para detalhes que passavam ao largo do problema maior: embargo à carne verde-loura.

Nesta segunda-feira (20), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que classificou como “idiotice” o fato de a Polícia Federal ter mencionado a eventual mistura de papelão à carne na produção de embutidos, considerou que podem ser desastrosos os efeitos do embargo à exportação de carne brasileira. Isso porque países como China, Coreia do Sul, Chile e países europeus anunciaram a suspensão da compra de carnes brasileiras.

“Se todos os países interromperem a importação, será um desastre”, disse o ministro, que minimizou as consequências da Carne Fraca no consumo de produtos no Brasil. Maggi anunciou que o governo adotará esquema mais rigoroso de fiscalização para produtores de carne e derivados.

O titular da Agricultura afirmou que os frigoríficos investigados pela PF não poderão exportar até que questionamentos dos países importadores sejam respondidos, mas as empresas continuam autorizadas a vender seus produtos no mercado interno, sujeitas a regime especial de fiscalização.

Em tese, todos os 33 países que compraram carne das 21 empresas investigadas pela Operação Carne Fraca podem pedir informações, admitiu Maggi, que classificou o procedimento como natural.

Na opinião do ministro, a suspensão da compra de carne por tais países representaria um “desastre” para a economia nacional. “Eu torço, rezo, penso, trabalho para isso não acontecer”, afirmou.


Muito estranhamente, nesta segunda-feira alguns setores da imprensa nacional aderiram à estratégia palaciana e passaram a criticar a Operação Carne Fraca, em clara tentativa de desmoralizar o trabalho da Polícia Federal, que durante dois anos investigou esquema criminoso envolvendo fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura e frigoríficos.

Esse tipo de reação era esperado, pois o setor responde por parte das exportações brasileiras, o que significa a movimentação de grandes valores financeiros e, por consequência, campanhas publicitárias milionárias voltadas para o mercado interno, onde carnes e produtos derivados são consumidos por boa parte da população. Ou seja, a PF acabou por mexer com os interesses de um segmento riquíssimo da economia.

A PF alega que há ainda sob sigilo provas contundentes das violações praticadas pelos frigoríficos, enquanto os investigados afirmam que ocorreram exageros por parte da corporação, como, por exemplo, o anúncio de que as empresas revalidavam produtos vencidos e usavam produtos químicos para melhor a aparência dos alimentos e eliminar odores típicos da deterioração.

É importante salientar que fiscais agropecuários não cobraram propina por esporte, assim como as empresas não aceitaram a extorsão por se tratar de uma prática divertida. Algo errado acontecia para que certificados sanitários fossem vendidos por servidores do Ministério da Agricultura. A simples adulteração do prazo de validade dos produtos, através do uso de novas embalagens, e o afastamento do fiscal Daniel Gouvêa Teixeira, que denunciou irregularidades, são motivos mais que suficientes para a entrada da PF no caso.

Blairo Maggi cumpre o seu papel ao tentar tranquilizar o consumidor interno em relação à qualidade da carne brasileira e a eficácia do sistema de fiscalização do Ministério da Agricultura, mas há no País um clima generalizado de desconfiança. Isso pode significar uma queda acentuada no consumo de carne, em especial dos produzidos pelas empresas investigadas, o que geraria dificuldades financeiras e desemprego.

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