Condenação de pedófilo faz Paulo Bernardo abandonar a campanha de Gleisi e voltar a Brasília

eduardo_gaievski_25Efeito Gaievski – Há duas semanas, o ministro Paulo Bernardo da Silva (Comunicações) desembarcou em Curitiba com a determinação de reverter a crítica situação que se instalou na campanha da esposa, a senadora Gleisi Hoffmann, candidata do PT ao governo do Paraná. Arrogante e com incontestável apreço pela censura, Gleisi aparece em terceiro lugar nas pesquisas, com míseros 10% das intenções de voto, de acordo com o instituto Datafolha.

Paulo Bernardo aterrissou na campanha de Gleisi com disposição de sobra, com “sangue nos olhos”, como dizem alguns dos “companheiros” do ministro. Ele enquadrou o marqueteiro, exigiu a volta do vermelho do PT no material de campanha e a presença da presidente Dilma na propaganda eleitoral e no horário político de Gleisi.

Contudo, o gás de Paulo Bernardo parece ter acabado no último dia 15, quando a juíza Janaína Monique Zanelatto Albino sentenciou a mais de dezoito anos de prisão o ex-assessor de Gleisi na Casa Civil, Eduardo Gaievski (à esquerda na foto). A pena foi aplicada pelo estupro de uma menor (um dos quase 30 ataques sexuais de que o pedófilo é acusado) e um detalhe parece ter deixado o ministro particularmente desanimado. A divulgação de que Gaievski, que entrou no PT por suas mãos, estava no governo Dilma quando foi preso. O “Maníaco da Casa Civil” foi encarregado de comandar, à época, as políticas federais para crianças e adolescentes, cuidar da construção de creches do programa “Brasil Carinhoso” e acompanhar o programa “Mais Médicos”.

O abalo sofrido pelo ministro se deve à ligação pessoal com Gaievski. Bernardo e Gleisi recrutaram o pedófilo e filiaram-no ao PT em 2003. Depois, Gaievski foi convidado para ser candidato a prefeito de Realeza, em 2004. Eleito, o predador sexual de adolescentes demonstrou sua gratidão a Paulo Bernardo com a concessão de um título de cidadão honorário de Realeza. Honraria recebida em 2009, com pompa e circunstância, junto com a deputada petista Luciana Rafagnin. Apesar de todas essas evidências de intimidade, Gleisi insiste em dizer que mal conhecia o pedófilo quando da indicação para o cargo de assessor especial da Casa Civil.

A condenação de Gaievski e a consequente volta do escândalo ao noticiário desanimaram o ministro. Paulo Bernardo cancelou as férias e retornou a Brasília, onde reassumiu o ministério. A própria Gleisi diz que o marido só deve voltar à campanha na derradeira semana, para dar uma ajuda extra na reta final. No PT, o desânimo é quase que total diante das pífias chances de Gleisi nas urnas de outubro próximo.

No contraponto dos índices de intenção de voto, a rejeição de Gleisi Hoffmann está cada vez mais exuberante. A petista tem 20% de rejeição, contra 10% de intenção de voto. Ou seja, para cada eleitor disposto a votar em Gleisi, dois não votam na petista, mesmo que Gaievski decida fazer um voto de castidade.

A baixa intenção de voto da candidata da petista e seus altos índices de rejeição (nesse quesito só perde para o peemedebista Requião, que tem 25%) se devem a dois fatores, segundo os analistas: a perseguição implacável que moveu contra o Paraná na Casa Civil, sonegando investimentos e bloqueando empréstimos, e ao fato de ter levado um pedófilo conhecido para cuidar de crianças e adolescentes no governo de Dilma Vana Rousseff.

Fora isso, Gleisi decidiu intimidar jornalistas com ações na Justiça, apenas porque esses profissionais abriram espaço para o caso do pedófilo e para a sua tentativa de prejudicar as APAEs de todo o país, quando passou a defender, a pedido do governo federal, a transferência da educação especial para a rede pública de ensino. Como se não bastasse sua essência censora, a senadora-candidata apelou a alguns jornalistas paranaenses para deflagrar uma campanha contra o editor do site, incursão truculenta que fracassou na primeira tentativa.

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