Copom sinaliza que juro básico pode cair a 8,5% ao ano, mas milagre ainda não chegou ao consumidor

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A evolução da conjuntura econômica brasileira já permite intensificar o ritmo de flexibilização monetária, ou seja, promover cortes maiores na taxa básica de juro. A afirmação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (18), em Brasília, pelo Banco Central. Na última semana, o Copom decidiu pelo corte de 1 ponto percentual no juro básico, que agora está fixado em 11,25% ao ano, excessivamente alto para a realidade econômica nacional.

De acordo com a ata do colegiado, o cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre outras hipóteses, a moeda norte-americana valendo R$ 3,23, ao final de 2017, e R$ 3,37, em 2018, além de taxa básica de juro na casa de 8,5% ao ano.

Membros do comitê argumentaram, entretanto, que, diante do caráter prospectivo da condução da política monetária e a continuidade das incertezas e dos fatores de risco que ainda pairam sobre a economia, a decisão foi pela manutenção do ritmo observado na reunião – redução de 1 ponto percentual.

“O Copom ressalta que o ritmo de flexibilização monetária dependerá da extensão do ciclo pretendido e do grau de sua antecipação, que, por sua vez, dependerá da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco mencionados acima e das projeções e expectativas de inflação”, diz a ata.


A redução da taxa básica de juro, a Selic, e o recuo da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é fruto da grave crise econômica que ainda chacoalha o país, não das medidas adotadas pelo governo do presidente Michel Temer.

De nada adianta reduzir a Selic, se o custo do crédito ao consumidor continua tão caro quanto em 2016, quando a taxa básica de juro ainda estava em patamares elevados. Os bancos afirmam que o risco de inadimplência continua elevado, por isso as taxas de juro permanecem em alta. A única vantagem decorrente da redução da Selic é o custo menor da rolagem da dívida do governo.

É precipitado falar em retomada da economia, algo que só acontecerá quando o índice de desemprego recuar e o salário do trabalhador retomar o poder de compra, milagre que exigirá alguns bons anos. De igual modo não se pode afirmar que o País está a um passo da trilha do crescimento econômico, uma vez que o consumo permanece em baixa devido à desconfiança da população em relação ao futuro.

Ademais, a crise política, agravada com as delações no âmbito da Operação Lava-Jato, tem potencial de sobra para dificultar, até mesmo comprometer, a votação de projetos de estímulo à economia, como, por exemplo, as reformas tributária, trabalhista e da Previdência.

Considerando que o próximo ano é de eleições e muitos políticos precisam da reeleição como forma de manter o foro privilegiado, devido a denúncias no escopo da Lava-Jato, a aprovação de matérias impopulares pelo Congresso corre o risco de não acontecer da forma como o Palácio do Planalto previu. Isso atrapalha os planos de retomada do crescimento econômico. (Com ABr)

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