Córsega também proíbe burquíni

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Após Cannes e Villeneuve-Loubet, chegou a vez de a ilha de Córsega, na França, proibir nesta segunda-feira (15) o uso dos chamados burquínis – roupas de banho que cobrem todo o corpo, inclusive a cabeça – em suas praias. A proibição ocorreu depois de uma briga motivada pela peça de roupa no último sábado.

O prefeito de Sisco, Ange-Pierre Vivoni, alegou que a medida visa proteger a população após o incidente no qual cinco pessoas ficaram feridas. No sábado, cerca de cem policiais foram enviados a uma praia para separar uma briga entre moradores da região e famílias de origem norte-africanas.

O confronto começou após turistas supostamente terem fotografado mulheres tomando banho de mar com burquínis. Três carros foram incendiados no local. Procuradores de Bastia instauraram um inquérito para determinar as causas da briga.

Em entrevista à emissora de rádio France Info, Vivoni negou que o confronto tenha sido provocado por um turista que fotografava mulheres muçulmanas na praia. “A briga não foi devido ao burquíni. Jovens corsos foram defender turistas que pacificamente tiravam fotos da paisagem”, ressaltou, afirmando que a proibição visa proteger todos os cidadãos, especialmente os muçulmanos. “Eles são as principais vítimas de provocações extremistas.”


“As pessoas aqui se sente provocadas com coisas como essas”, afirmou. Vivoni disse ainda que a medida não é contra a religião muçulmana, mas para evitar a propagação do fundamentalismo.
Medida polêmica

A cidade de Cannes, no sul do país, foi a primeira a banir o uso desse tipo de vestimenta em suas praias na semana passada, alegando motivos de segurança. A medida foi seguida pela localidade vizinha de Villeneuve-Loubet. A justificativa apresentada pelo prefeito local, no entanto, foi que nadar completamente vestido seria anti-higiênico.

A proibição de burquínis é a última de uma série de medidas tidas como de exclusão em relação ao islã na França – a segunda maior religião do país, em termos de seguidores –, adotadas em nome do Estado laico.

A legislação francesa já proíbe o uso de véus que cubram o rosto em qualquer local público, assim como véus que cobrem a cabeça em escolas públicas. Defensores da lei afirmam que o objetivo é preservar valores seculares e proteger as mulheres da opressão religiosa. Críticos, por sua vez, afirmam que a medida divide ainda mais a sociedade, e extremistas do grupo “Estado Islâmico” (EI) podem usá-la como justificativa para atacar a França. (Com agências internacionais)

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