Cúpula do governo Temer está preocupada com depoimento de ex-diretores da Odebrecht no TSE

A semana começou tensa no Palácio do Planalto, onde a cúpula do governo tenta minimizar os graves efeitos colaterais da crise política que cresce à sombra da delação coletiva da Odebrecht, firmada à sombra das investigações da Operação Lava-Jato.

Depois do adiamento do retorno de Eliseu Padilha à Casa Civil, que ficará longe da pasta por mais uma semana, o governo está com a atenção voltada para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde nesta segunda-feira (6) depõem três ex-executivos da Odebrecht no processo que apura irregularidades na chapa Dilma-Temer.

Entre os depoentes está Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, que em delação acusou Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, José Yunes e até Michel Temer de recebimento de dinheiro proveniente de caixa 2, possivelmente do esquema criminoso conhecido como Petrolão.

Nos próximos dias, o presidente da República decidirá sobre o futuro de Padilha, pois a depender do conteúdo do depoimento de Melo Filho o principal assessor de Temer corre o risco de não mais retornar ao cargo. No caso de essa hipótese se confirmar, a crise no governo aumentará de forma exponencial.


Ciente de que as provas colhidas pelo TSE até agora são suficientes para que a Corte eleitoral decida pela cassação do registro da candidatura Dilma-Temer, o presidente da República, que até recentemente defendia a liquidação imediata do caso, mudou de ideia e agora pode trabalhar pela procrastinação do processo. Para tanto, a defesa de Temer poderá solicitar a convocação de testemunhas, algo que até agora não havia acontecido.

A mudança de estratégia ocorreu após o depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE, ocasião em que o empresário confirmou que dinheiro de corrupção foi repassado, através de caixa 2 foi, à campanha de Dilma Rousseff. A situação piora na direção de Michel Temer porque o empresário baiano, que encontra-se preso em Curitiba desde julho de 2015, incluiu o PMDB nesse imbróglio.

A aposta de Temer é arrastar o processo no TSE o máximo possível, fazendo com que a decisão final saia somente no final de 2018, mais precisamente no apagar das luzes do atual governo. No caso de a sentença seja pela cassação da chapa, sem direito a dissociação, Temer poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), que, mesmo confirmando a decisão do TSE, dependendo da cronologia dos fatos poderá pela tese da razoabilidade. Ou seja, Michel Temer corre o risco de permanecer no Palácio do Planalto até os estertores do próprio governo.

A lufada de incerteza que sopra sobre a cena política nacional compromete diretamente a crise econômica, que vem encontrando zonas de resistência na avalanche de denúncias de corrupção no escopo da Operação Lava-Jato. Isso significa que o brasileiro terá de conviver não apenas com um governo propulsado por escândalos, mas com uma crise econômica que assusta cada vez mais.

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