Educação e diálogo para enfrentar a violência doméstica contra a mulher

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A mulher que vive episódios de violência em casa muitas vezes demora a buscar ajuda, pois tem receio de que sua vida venha abaixo. “Em suas mãos está uma decisão complexa, que vai envolver não apenas ela mesma, mas também seus filhos, seus pais, e até mesmo o homem agressor, que no final das contas é o pai de seus filhos. O problema é que essa estratégia, muitas vezes, não funciona. E ela morre antes”, disse a terapeuta e socióloga Laura Frade.

Durante a cerimônia de abertura da 7ª edição da “Semana Paz em Casa”, em Brasília, ocorrido na última segunda-feira (6), Laura Frade, falou sobre os motivos que levam uma mulher a seguir em relações agressivas. Segundo Laura, que há dez anos trabalha com políticas públicas direcionadas às mulheres vítimas de violência, existem muitas correntes e teorias que buscam compreender o que ela chamou de “endemia” atual de violência doméstica. O Brasil é o 5º país com maior taxa de feminicídio no planeta.

A terapeuta e socióloga chamou atenção para o fato de todas as mulheres brasileiras já terem vivido alguma história de desqualificação ou de agressão em suas vidas.

“São representações velhas, mas que nós nos acostumamos a lidar. Seja na propaganda, na novela, ou na vida em família. A gente se acostumou e entrou no automático. E tudo que é automatizado é mais complicado de ser removido”, disse.

Para Laura Frade, esse preconceito é ainda mais forte dentre as próprias mulheres, que recriam lares que desvalorizam as mulheres, enquanto nutrem os futuros homens machistas.

“Infelizmente, nós somos perpetuadores de práticas que desvalorizam as mulheres. No Brasil, quem nasceu em uma família com irmãos e irmãs, sabe a diferença de tratamento entre os gêneros. E, posteriormente, a mulher vai se desenvolver nessa sociedade com a ideia de que precisa de um homem ao seu lado para se sentir valorizada”, disse.


Laura disse que é preciso ensinar novas maneiras das famílias se relacionarem para que possam resolver seus conflitos por meio do diálogo. “Elas vão entender que existe uma outra opção”, disse ao defender a ampliação, para todo o país, do projeto Maria da Penha vai às Escolas, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) para sensibilizar orientadores educacionais, professores e estudantes, em relação ao tema.

A terapeuta aponta, ainda, as dificuldades que as mulheres vítimas de violência doméstica encontram em sua busca pela ajuda. “Um dos piores crimes cometidos pela sociedade contra a mulher vítima de violência é a ‘banalidade do mal’; aquele crime cometido por ninguém. Você vê muito disso nas repartições públicas. A senha acabou, não há mais como atender. Ela não encontra atendimento e não tem mais como voltar, porque não tem condições. Isso é cruel”, concluiu, citando um conceito da filósofa alemã Hannah Arendt.

Para a especialista é preciso viabilizar concretamente a chegada das vítimas até os locais de apoio, como delegacia e juizados.

A “Semana Paz em Casa” segue até o dia 10 de março e está sendo executada pelos tribunais de Justiça de todo o País. A Semana foi lançada em março de 2015, com vistas à pacificação social, começando pela paz nos lares brasileiros. A mobilização nacional, de iniciativa da presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, já está na sétima edição e conta com a participação de todos os tribunais de Justiça brasileiros. (Com Agência CNJ)

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