Em discurso de despedida, Barack Obama pede empenho dos americanos pela democracia

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Em discurso marcado, ao final, pela emoção, o presidente Barack Obama afirmou, na noite de terça-feira (10), que os Estados Unidos são hoje um lugar melhor e mais forte do que quando ele chegou ao poder, em 2009, e atribuiu isso aos esforços da população, que confiou em sua mensagem de esperança e mudança.

“Vocês foram a mudança e, graças a vocês, em quase todas as medidas, os Estados Unidos são um lugar melhor e mais forte do que quando começamos”, disse Obama em seu último discurso como presidente, diante de 18 mil pessoas em Chicago, cidade onde começou sua carreira política.

Obama, que deixará o cargo no próximo dia 20, reconheceu que o progresso durante sua presidência não foi uniforme. “Trabalhar a democracia sempre foi duro, disputado e, às vezes, sangrento. Para cada dois passos adiante, às vezes parece que damos um passo para trás”, mas que os Estados Unidos sempre se caracterizaram por andar para frente.

“A democracia pode recuar quando cedemos ao medo”, disse Obama. “Assim como nós, cidadãos, precisamos nos manter vigilantes contra agressões externas, precisamos impedir um enfraquecimento dos valores que nos fazem ser o que somos.”

Ele alertou para os riscos oferecidos à democracia americana pelas chamadas “fake news” (notícias falsas divulgadas na internet) e pelo efeito bolha das redes sociais, ou seja, a crescente tendência de as pessoas se relacionarem apenas com aqueles com quem já concordam. “Se você está cansado de discutir com estranhos na internet, tente falar com um na vida real”, disse Obama. O presidente afirmou que a democracia sempre está ameaçada se ela for vista como algo garantido e disse aos americanos para considerarem o ponto de vista dos outros. “Devemos prestar atenção e ouvir.”

Ele pediu a todos os cidadãos norte-americanos para serem guardiões da democracia, não somente quando houver eleições, mas durante toda a vida. “Eu cheguei pela primeira vez a Chicago quando tinha 20 e poucos anos, ainda tentando entender quem eu era, tentando encontrar um sentido para a minha vida”, disse Obama. “Foi então que eu aprendi que mudanças apenas acontecem quando pessoas comuns se envolvem, se engajam e se unem para exigi-las.”


Obama fez um balanço positivo do seu governo e afirmou que, se há oito anos tivesse prometido que o país “deixaria para trás uma grande recessão”, abriria “um novo capítulo com o povo cubano, encerraria o programa nuclear do Irã”, conseguiria a legalidade do casamento homoafetivo e reformaria o sistema de saúde, “teriam me falado que eu estava sonhando alto”.

O primeiro presidente negro dos Estados Unidos reconheceu que, apesar do caráter histórico de sua eleição, o racismo segue vivo no país e que ainda há “muito trabalho por fazer” para eliminar os preconceitos contra as minorias e imigrantes. “Depois da minha eleição, muito foi falado sobre os Estados Unidos pós-racial. Essa visão, embora bem intencionada, nunca foi realista. Porque o racismo continua sendo uma força potente e um fator de divisão em nossa sociedade”, admitiu Obama.

O presidente afirmou ainda que negar a existência do aquecimento global significa trair as próximas gerações. “Podemos e devemos discutir sobre a melhor abordagem para resolver o problema. Mas simplesmente negar o problema não é apenas trair as gerações futuras, mas trair o espírito essencial deste país, o espírito essencial de inovação e capacidade de resolver problemas que guiou os nossos fundadores”, disse.

Obama fez poucas referências ao seu sucessor, o republicano Donald Trump. Quando falou que será, em breve, substituído pelo magnata, o público começou a vaiar. “Não, não, não”, disse Obama, afirmando que esta será uma transferência de poder pacífica, para que o próximo governo “possa nos ajudar a enfrentar os muitos desafios que ainda teremos”. Antes, quando o público pedira mais quatro anos, Obama sorriu e comentou: “Não posso fazer isso”.

Apesar das diferenças entre suas ideias e as de Trump, Obama disse deixar o poder “ainda mais otimista em relação ao país” do que quando assumiu por saber que seu governo não apenas “ajudou muitos americanos, mas também inspirou” muitos outros, especialmente os jovens. “O futuro está em boas mãos”, disse Obama, ao classificar a nova geração como “altruísta, criativa e patriótica”.

Obama encerrou seu discurso com uma série de agradecimentos a sua família e sua equipe na Casa Branca e prometeu seguir lutando por aquilo em que acredita quando deixar o poder. “Yes, we can. Yes, we did” (“Sim, nós podemos. Sim, nós fizemos”), afirmou o presidente. (Com agências internacionais)

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