EUA expulsam diplomatas russos na esteira da polêmica ingerência do Kremlin na eleição presidencial

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Os Estados Unidos determinaram, na quinta-feira (29), a expulsão do país de 35 diplomatas russos, fecharam dois complexos em Nova York e Maryland e anunciaram sanções a nove entidades ou pessoas da Rússia, incluindo serviços secretos, em resposta a uma alegada interferência nas eleições presidenciais de novembro.

“Ordenei uma série de ações em resposta ao assédio agressivo do governo russo a funcionários dos EUA e a operações cibernéticas que visaram as eleições dos Estados Unidos”, disse o presidente Barack Obama. “Essas ações seguem as repetidas advertências – privadas e públicas – que emitimos ao governo russo e são uma resposta necessária e apropriada aos esforços feitos para prejudicar os interesses dos EUA, violando normas internacionais de comportamento”, completou.

Entre as medidas anunciadas estão sanções às agências de inteligência russas FSB (Serviço Federal de Segurança) e GRU, a expulsão de 35 diplomatas da embaixada russa em Washington e do consulado de San Francisco e o fechamento de dois complexos em Nova York e Maryland, usados “para fins relacionados à inteligência”.

Os diplomatas russos foram classificados como persona non grata por terem agido de “forma inconsistente com seu status diplomático”, ou seja, agirem como oficiais de inteligência. Eles e suas famílias têm 72 horas para deixar os EUA. O acesso aos dois complexos será negado a todos os oficiais russos a partir do meio-dia desta sexta-feira.

Os sancionados são as agências FSB e GRU, quatro chefes da GRU e três empresas ou organizações acusadas de apoiar operações de invasão de computadores. Como integrantes da GRU raramente viajam aos Estados Unidos ou têm bens no país, as sanções contra eles têm, sobretudo, caráter simbólico.


“Essas ações não são a soma total de nossa resposta às atividades agressivas da Rússia. Continuaremos tomando uma variedade de medidas num momento e local de nossa escolha, e algumas destas não serão divulgadas”, explicou Obama. “Todos os americanos devem ficar alarmados com as ações da Rússia”, ressaltou o presidente dos EUA.

O porta-voz da Câmara dos Deputados dos EUA, Paul Ryan, afirmou que a Rússia tentou “minar consistentemente” os interesses dos EUA e que as sanções impostas pelo governo de Obama vieram tarde demais. “Embora a ação de hoje esteja atrasada, é uma maneira apropriada de encerrar oito anos de política fracassada com a Rússia”, afirmou. “E serve como exemplo da ineficácia deste governo na política externa, que deixou os EUA mais fracos aos olhos do mundo.”

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Konstantin Dolgov, afirmou que as sanções americanas são contraprodutivas e prejudicarão a restauração dos laços bilaterais, reportou a agência russa de notícias Interfax. O governo russo nega estar por trás de uma suposta interferência de hackers nas eleições americanas.

O governo russo disse que as sanções impostas pelos Estados Unidos são infundadas e rejeita as alegações de interferência nas eleições presidenciais americanas. “Como já dissemos antes, acreditamos que tais decisões, tais sanções sejam infundadas e ilegais do ponto de vista do direito internacional”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. “Rejeitamos alegações e acusações infundadas contra a Rússia”.

A decisão é mais um complexo problema para o presidente eleito Donald Trump, que para reverter tais sanções terá de provar que o Kremlin não interferiu nas eleições norte-americanas através de hackers. Para tanto, o bufão Trump precisará de relatórios da CIA, que já confirmou a criminosa ingerência russa. Para quem imaginou que as relações com Vladimir Putin seriam como conversa de bar, Trump está em dificuldades. (Com agências internacionais)

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