Europa respira aliviada com derrota do xenófobo Geert Wilders nas eleições holandesas

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Líderes europeus respiraram aliviados nesta quinta-feira (16) com a confirmação oficial derrota do eurocético e xenófobo Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade (PVV), na eleição parlamentar da Holanda.

A vitória do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), do primeiro-ministro Mark Rutte, é vista como mensagem simbólica contra a expansão do populismo de direita na Europa, que vinha ameaçando o bloco econômico e radicalizando o discurso anti-imigração.

Com 95% dos votos contados, Rutte, que agora cumprirá um terceiro mandato, ficou bem à frente na eleição holandesa, obtendo 33 dos 150 assentos do Parlamento holandês. A legenda de Wilders conseguiu 20 assentos na eleição desta quarta-feira, desempenho bem abaixo do esperado pelo próprio partido.

No último debate antes da eleição, Wilders disse que um “Nexit”, a saída da Holanda da União Europeia (UE), “seria a melhor coisa que poderia acontecer” para os holandeses.

Nesta quinta, Wilders afirmou que seu partido vencerá a próxima eleição. “Éramos o terceiro partido na Holanda, agora somos o segundo. E, na próxima vez, seremos o número um”, disse.

Reações da França e Alemanha

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou que o resultado expressa “um voto pela Europa e contra o extremismo” e que Wilders “recebeu a conta por sua campanha agressiva”.

A chanceler alemã Angela Merkel parabenizou Rutte por telefone e colocou-se à disposição para colaborar com o novo governo. Merkel concorre à reeleição nas eleições legislativas alemãs, marcadas para setembro.


O socialista Martin Schulz, do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), principal rival de Merkel na corrida parlamentar, festejou a derrota de Wilders pelo Twitter. “Geert Wilders não conseguiu ganhar a eleição na Holanda. Estou aliviado”, escreveu. “Mas temos que continuar a lutar por uma Europa tolerante e livre”, completou Schulz.

O partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) mostrou-se decepcionado com o resultado na Holanda. “Não é nenhum segredo que eu desejava um resultado melhor para o PVV e Geert Wilders”, afirmou a copresidente Frauke Petry, principal figura do partido. A AfD, que ganhou maior apoio depois da crise dos refugiados e dos ataques terroristas no país, não tem obtido bons resultados nas pesquisas de opinião, também devido a divisões internas.

O presidente da França, François Hollande, afirmou que a vitória de Rutte é um triunfo contra o extremismo. “Os valores de tolerância, respeito pelos outros e fé no futuro da Europa são as únicas respostas reais aos impulsos nacionalistas e isolacionistas que estão estremecendo o mundo”, declarou.

A França, que elegerá seu novo presidente em maio (segundo turno), será o próximo teste da força do populismo de direita na Europa. A partir do resultado da eleição holandesa, cresce a expectativa de uma possível derrota da ultradireitista Marine Le Pen, cujo discurso xenófobo é muito parecido com o de Wilders.

De acordo com as pesquisas, a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, iria para o segundo turno, mas as chances de vitória são pequenas. O escândalo de desvio de recursos envolvendo o candidato conservador, François Fillon, eleva a incerteza sobre o resultado das urnas.

O primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, também parabenizou Rutte. “Que bom que a seriedade foi recompensada”, escreveu no Twitter. (Com agências internacionais)

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