Importadores de carnes brasileiras anunciam embargo; empresas não pagavam propina por acaso

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Os resultados da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, começam a provocar estragos nas exportações brasileiras de proteína animal. Muitas das informações divulgadas pela PF estão sendo questionadas, mas algumas são incontestáveis e condenáveis: a revalidação de produtos vencidos e o uso excessivo de produtos químicos para melhorar a aparência do produto e eliminar odores típicos da deterioração.

Se alguns frigoríficos usavam carnes proibidas no processamento de embutidos, ou até mesmo papelão e água em determinados processos, isso será esclarecido com o avanço das investigações, mas não se pode ignorar condenar o conjunto dos resultados das investigações.

É sabido que a exportação de carne brasileira é um negócio bilionário que atende 160 países, o que explica a intensa movimentação dos envolvidos, porém é preciso fazer um “mea culpa” e reconhecer que os fiscais agropecuários não cobravam propinas dos frigoríficos apenas porque estes funcionavam dentro do que determina a legislação que regula o setor.

O governo da Coreia do Sul decidiu aumentar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil e suspender temporariamente a compra de produtos da BRF Brasil Foods, uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira (17).

Em anúncio feito nesta segunda-feira (20), o Ministério da Agricultura da Coreia do Sul informou que fornecedores brasileiros de carne de frango terão de enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro.


Mais de 80% das 107 mil toneladas de carne de frango importadas pela Coreia do Sul em 2016 tinham o Brasil como fornecedor, sendo que metade desse volume foi fornecida pela BRF. Sobre a medida adotada pelo governo sul-coreano, a BRF informou que “não foi notificada oficialmente dessa suposta suspensão e por isso não vai se manifestar”.

O governo chinês adotou providência semelhante, suspendendo por uma semana os embarques programados de carnes brasileiras. A medida poderá ser prorrogada se nesse curto período não forem esclarecidas as denúncias feitas no âmbito da Operação Carne Fraca.

Autoridades europeias exigiram que todas as empresas investigadas pela PF tenham seus produtos impedidos de entrar no mercado europeu, além de orientar todos os países do bloco adotem “vigilância extra” ao tratar de qualquer produto brasileiro derivado de carnes.

Pelo menos quatro empresas nacionais de proteína animal já foram retiradas da lista de exportadores para a Europa, sendo duas delas do setor de aves. O continente europeu consome cerca de 10% de toda a exportação de carnes brasileiras.

A suspensão adotada pela UE foi comunicada pelo porta-voz da Comissão Europeia para assuntos de Saúde, Enrico Brivio, durante coletiva de imprensa. “Estamos em um processo para garantir que todos aqueles envolvidos na fraude não possam exportar para a Europa”, disse Brivio, lembrando que Bruxelas manteve “intensos contatos diplomáticos com o Brasil” desde a deflagração da operação da PF.

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