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Jovens acham que lugar de mulher é em casa

08.03.2010 - 9:52am | Seção: Variedades



Brasileiras conquistam mais espaço -

mulher_01As mulheres estão à frente de governos no mundo e lideram algumas das principais empresas mundiais. O sexo feminino representa ainda metade da força mundial, mas mesmo assim um inquérito mundial mostra que uma em cada quatro pessoas, a maioria jovens, acha que o lugar das mulheres ainda é em casa, segundo informa a Reuters.

O estudo que inquiriu 24 mil adultos em 23 países foi conduzido pela Reuters/Ipsos e é divulgada na véspera do Dia Internacional da Mulher. A sondagem indica que populares da Índia (54%), Turquia (52%), Japão (48%), China, Rússia, Hungria (34%) e Coreia do Sul (33%) tendem a achar que as mulheres não deveriam trabalhar.

E, talvez esta seja ainda uma surpresa maior, pessoas com idades entre 18 e 34 anos são os que mais têm essa opinião e não os mais velhos, que teoricamente é uma geração mais conservadora. Apesar de ainda existir quem queira ver as mulheres em, a grande maioria, ou 74%, acham que o sexo feminino tem direito “a viver fora de portas”.

“No século que passou, as mulheres coletivamente fizeram grandes avanços em termos de participação na sociedade - da política ao trabalho, do desporto aos media e à exploração intelectual - mas ainda há grandes barreiras para muitas”, considerou John Wright, diretor da empresa de pesquisa Ipsos.

No Brasil, as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho. De acordo com texto distribuído pelo Ministério do Trabalho, entre 2002 e 2008, 4.788.023 mulheres assumiram postos no mercado de trabalho formal em todo o Brasil. O volume, que equivale à soma das populações de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG) mostra que as empresas estão abrindo suas portas para a mão-de-obra feminina.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em 2002 havia 11.418.562 mulheres trabalhando formalmente no país; em 2008 o número chegou a 16.206.585, crescimento de 40,9% no período. Entre os homens, o crescimento foi de 34,5%: de 17.265.351 milhões em 2002 para 23.234.981 em 2008.

E o número de mulheres - que comemoram seu Dia Internacional nesta segunda-feira, 8 de março - no mercado de trabalho tem crescimento contínuo, não sazonal, conforme apontam os dados da Relacão Anual de Informações Sociais (Rais) do MTE. Em 2003 havia 11,8 milhões delas formalmente empregadas, em 2004 12,5 milhões, em 2005 13,4 milhões, em 2006 havia 14,2 milhões e em 2007 15,3 milhões.

Em relação aos rendimentos, a faixa etária que atualmente apresenta a melhor remuneração, segundo a Rais, é entre 50 a 64 anos, com média de R$ 1.757,51, seguida de 65 anos ou mais, com R$ 1.713,77 e 40 a 49 anos, R$ 1.594,43.

Na comparação entre estados e setores de ocupação, o estado do Amazonas obteve a maior remuneração para a mulher, no setor de Extração Mineral, com R$ 8.755,23; seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 7.849,80; e Sergipe, com R$ 6.113,08. O setor de Serviços e Indústria de Utilidade Pública também tem se mostrado auspicioso para as mulheres: o Distrito Federal rendeu a melhor remuneração do país para as mulheres neste setor, com R$ 4.812,18; seguido do Piauí, com R$ 3.499,61; e Rondônia, com R$ 3.349,18.

Antigos crimes em nome da “defesa da honra”

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou a morte de cinco mil mulheres, a cada ano, em todo o mundo, justificada como crimes em “defesa da honra”. As Nações Unidas realizaram desde segunda-feira passada a 54ª sessão da Comissão da ONU sobre o estatuto da mulher que, durante toda a semana, analisou o cumprimento dos compromissos assumidos mundialmente sobre igualdade de gênero.

“Em nome da defesa da honra da família, mulheres e meninas são mortas a tiros, apedrejadas, queimadas, enterradas vivas, estranguladas, asfixiadas e apunhaladas até a morte, num ritmo assustador”, enumerou num comunicado, por ocasião das comemorações do Dia Internacional da Mulher, nesta segunda-feira, 8 de março.

No entanto, “a maior parte desses 5.000 crimes registrados a cada ano no mundo não aparecem nos jornais, assim como as inumeráveis violências infligidas às mulheres e às meninas por seus maridos, pais, irmãos, tios ou outros homens - às vezes, até, por outras mulheres - membros da família”, constatou.

As motivações desses crimes vão da violação das normas familiares ou comunitárias em matéria de comportamento sexual, à recusa a um casamento forçado, passando por pedidos de divórcio ou reclamações sobre herança, explicou a Alta Comissária. Em alguns países, “os autores (desses crimes) podem mesmo serem tratados com admiração”, indignou-se Navi Pillay que insiste na denúncia das violências cometidas na própria família.

“Estima-se que uma mulher em cada grupo de três no mundo é agredida, violentada ou vítima de outras espécies de abusos durante sua vida. E esses atos são cometidos, na maioria das vezes, na família”, destacou. Embora “o principal motivo alegado pelas mulheres (vítimas) para explicar por que não renunciam a uma relação violenta seja a falta de autonomia financeira (…), a violência doméstica também está em alta em países onde as mulheres atingiram um alto grau de independência econômica”, segundo Navi Pillay.

Quinze anos após o apelo à igualdade dos sexos, durante a Conferência Internacional de Pequim sobre as mulheres, realizada em 1995, Ban Ki-moon lamentou que “a injustiça e a discriminação das mulheres persistam.”

Em setembro passado, a Assembleia havia aceitado a criação, no seio da ONU, de um novo departamento que reuniria sob sua administração as atividades de vários órgãos já existentes relativos a questões que dizem respeito às mulheres. A nova entidade deve ter um orçamento próprio e ser dirigida por uma mulher, no cargo de secretária-geral adjunta, sob a autoridade direta de Ban Ki-moon. As modalidades técnicas e orçamentárias deste cargo devem ainda ser definidas e aprovadas.

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