Juro do rotativo do cartão chega a 482% ao ano, mas operadoras aceitam passivamente reduzir taxa

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Um dia após o presidente da República, Michel Temer, anunciar a redução do juro cobrado nas operações com cartões de crédito, o Banco Central informou, na sexta-feira (23), que as operadoras elevaram a taxa no mês de novembro, alcançando um novo e absurdo recorde: 482,1% ao ano (crédito rotativo). Em apenas um mês, a alta foi de 6,3 pontos percentuais. O cheque especial também ficou mais caro, 330% ao ano.

Na tentativa de mostrar à população alguma ação para tentar recuperar a combalida economia brasileira, Temer afirmou que o juro do chamado crédito rotativo terá de cair pela metade, o que mesmo assim é uma das maiores taxas do planeta.

O cliente que entrar no rotativo do cartão poderá ficar nessa modalidade de crédito pó no máximo 30 dias. No caso de não liquidação da dívida nesse período, o valor em aberto será automaticamente parcelado, que deve ter um juro menor.

As novas regras anunciadas pelo governo serão oficializadas em breve pelo Banco Central, sendo que as administradoras de cartões de crédito terão até 90 dias para se adequar às mesmas, segundo informou Marcelo Noronha, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs).

“Quando tem um valor no rotativo e a gente parcela em um prazo mais elástico, a gente reduz o comprometimento da renda do consumidor e com isso reduz a inadimplência, o que ajuda a convergir a taxa de juros para patamares mais baixos. Essa é a lógica desse modelo. Vários bancos emissores já oferecem esse parcelamento. O que muda agora é que a oferta terá que ser feita por toda”, disse Noronha.

As taxas de juro cobradas pelas administradoras em parcelamentos no cartão são mais baixas que as do crédito rotativo. Atualmente, estão em 156,1% ao ano. O presidente da Abecs afirmou que a taxa de juro no Brasil é elevada em razão do alto risco, ou seja, é maior a chance de inadimplência.


“A composição da taxa leva em primeiro lugar o risco. Tem outras questões com o custo do dinheiro (spread alto) e questões de cunho fiscal, mas o principal componente é o risco. Você vai ter taxas convergindo para patamares mais baixo quando o juro for menor e houver um equilíbrio dessa inadimplência. Nos Estados Unidos você tem uma segurança maior ao credor e um juro menor. São realidades distintas”, explicou Noronha.

O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, defende uma mudança no sistema de cartões de crédito e apoiou as medidas anunciadas pelo governo federal. “Estas medidas são fundamentais para a redução da taxa do rotativo, que atualmente está muito onerada. De qualquer forma, é importante preservar a facilidade de uso do cartão de crédito”, disse.

Os cartões de crédito cobram 482,1% de juro ao ano no rotativo, mas em questão de horas aceitaram passivamente a proposta do governo (redução das taxas), classificada como fundamental. Isso significa que até agora a roubalheira institucionalizada por parte das empresas de cartões de crédito contava com a anuência explícita e criminosa do governo.

Apenas para desenhar o tamanho do estrago, 77% da dívida dos brasileiros são com cartão de crédito. Se o presidente Michel Temer não mostrar firmeza e exigir que a medida passe a valer em prazo mais curto e contemple dívidas atrasadas, a proposta será mais uma daquelas invencionices palacianas para enganar a opinião pública.

Os que têm dívida com cartão de crédito, em especial no rotativo, devem se mobilizar e cobrar a solução do problema, que é fruto da crise econômica que devastou o País em questão de anos.

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