Justiça nega liminar contra doações de empresas à prefeitura de SP; Doria começa a incomodar

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Com a divulgação da “lista de Janot” (na verdade trata-se da segunda lista), muitos conhecidos políticos brasileiros foram arrastados ao olho do furacão da Operação Lava-Jato na esteira da delação coletiva do Grupo Odebrecht, cujos 77 delatores soltaram o verbo sem qualquer cerimônia.

Que a política brasileira sempre funcionou à base do dinheiro da corrupção todos sabem, mas o que se viu nos últimos quase quinze anos foi uma ode ao acinte. Com o estouro da barragem de lama, muitos projetos eleitorais com vista a 2018 começam a desmoronar, em especial os que tinham o Palácio do Planalto como objeto do desejo.

As dezenas de pedidos de investigação enviadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda estão sob sigilo, mas os estragos produzidos pelos vazamentos são enormes. A ponto de alguns dos delatados já admitirem nos bastidores que o jogo está perdido. No máximo tentarão a reeleição em 2018, como forma de manter o foro privilegiado, o que garante o direito de ser julgado pelo STF, sinônimo de lentidão processual e chance de impunidade.

Com esse novo desenho político, nomes considerados “outsiders” começam a despontar como possíveis postulantes à Presidência da República. É o caso do empresário João Doria, prefeito da cidade de São Paulo, que vê aumentar suas chances de ser o presidenciável do PSDB.

Apesar dessa possibilidade real, Doria deve estar preparado para o jogo sujo inerente à política nacional. Qualquer movimento seu será alvo de ataques, como o promovido por pessoas ligadas à Rede Sustentabilidade, partido de Marina Silva, que ainda está sendo poupada no âmbito da Operação Lava-Jato.

Os “marineiros” ingressaram com ação judicial contra João Doria, questionando a legalidade da decisão que permite que empresas privadas façam doações à municipalidade. Os patronos da ação alegaram à Justiça que as doações ferem o conceito de moralidade, levantando dúvidas sobre a relação entre o poder público e os empresários.


O juiz Danilo Mansano Barioni negou pedido de liminar, justificando em sua decisão que não vê “dano, lesão ou ameaça de lesão concreta ou imediata” que justificasse o pleito. O magistrado também criticou a judicialização do caso.

“Ainda que alguns ou vários discordem da direção seguida, ao mandatário executivo incumbe, pois para isso foi eleito, direcionar as políticas públicas”, destacou Barioni em sua decisão. “Nada menos sadio do que pretender o direcionamento da administração por penadas judiciais”, completou.

Danilo Barioni lembrou que doações de empresas à prefeitura não são novidade, pois outros prefeitos editaram decretam regulamentado a prática. Ou seja, faltando dezoito meses para a corrida presidencial, o jogo bruto e rasteiro já está no tatame político.

Trata-se de mais uma lufada de hipocrisia que sopra na política, pois se jardins e canteiros da cidade de São Paulo podem ser mantidos pela iniciativa privada, com o direito de as empresas exibirem suas marcas no local, não há razão para a ação judicial, que mais parece sinal de desespero.

Coincidência ou não, na noite desta quinta-feira (16) a Rede Sustentabilidade ocupou o horário político gratuito para desfilar suas estrelas (sic) e regurgitar um falso moralismo que causa náuseas. É preciso estar atento aos capítulos passados e novos da Lava-Jato, pois há políticos sendo poupados nas investigações.

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