Lava-Jato avança na direção do Corinthians; ex-presidente do clube teria recebido propina da Odebrecht

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Em matéria publicada na edição da última terça-feira, 21 de fevereiro, o UCHO.INFO afirmou ser estranha a manobra de bastidor que garantiu a permanência de Roberto de Andrade na presidência do Sport Clube Corinthians Paulista. Andrade era alvo de um pedido de impeachment, rejeitado pelo Conselho Deliberativo do clube após acordo com o ex-presidente do alvinegro paulistano, Andrés Sanchez, que atualmente cumpre mandato de deputado federal pelo PT de São Paulo.

No acordo ficou acertado que o grupo liderado por Sanchez terá espaço na administração do Timão, com direito a cargos na estrutura administrativa. Isso significa que Roberto de Andrade será uma espécie de Rainha da Inglaterra do Tatuapé, bairro da Zona Leste paulista onde está localizada a sede do clube.

Na matéria ressaltamos: “Não se pode esquecer que a polêmica construção da Arena Corinthians foi viabilizada por Andrés Sanchez, com a ajuda do então presidente Lula, que é conselheiro vitalício do clube. A obra ficou a cargo da construtora Odebrecht, que é investigada na operação Lava-Jato e cujo grupo controlador negociou com as autoridades um explosivo acordo de colaboração premiada, com dirigentes e ex-executivos prestando depoimentos devastadores, ainda mantidos sob sigilo.”

Pois bem, o que parecia ser reles fumaça agora apresenta-se como fumo denso. Isso porque o Grupo Odebrecht, no acordo coletivo e colaboração premiada no âmbito da Operação Lava-Jato, declarou às autoridades que repassou R$ 2,5 milhões, através de caixa 2, à campanha de Andrés Sanchez à Câmara dos Deputados.


A informação consta dos acordos de delação premiada do ex-diretor-superintendente da Odebrecht, Luiz Bueno, e do ex-presidente de Infraestrutura do grupo empresarial, Benedito Júnior, conhecido como BJ. Ambos integram o grupo de 77 executivos da empreiteira que selaram acordo de colaboração com a força-tarefa da Lava-Jato.

Vice-presidente do Corinthians, André Luiz de Oliveira, conhecido como André Negão – assessor parlamentar de Sanchez –, é apontado nas delações como sendo o responsável pelo recebimento do dinheiro de propina, pago em espécie. Ambos negam irregularidades.

Em março de 2015, André Negão foi alvo de condução coercitiva, no escopo da Lava-Jato, após seu nome aparecer em planilha do setor de operações estruturadas da Odebrecht, o departamento de propinas do grupo baiano.

Na tal planilha de pagamento de propinas, as citações ‘Timão’ e ‘Alface’ aprecem relacionadas um endereço na zona leste de São Paulo, identificado pela Polícia Federal como sendo o da residência de Negão. No documento apreendido pelos policiais havia também uma anotação para sobre pagamento de R$ 500 mil a ser liquidado em 23 de outubro de 2014. A eleição daquele ano ocorreu em 5 de outubro.

Enquanto os investigados (Sanchez e Negão) negam as acusações, a Odebrecht está tranquila em relação ao assunto, pois entregou às autoridades documentos que comprovam o repasse do dinheiro ilícito por meio de caixa 2. Vale lembrar que delatores, durante as negociações de colaboração, assumem o compromisso de revelar a verdade, sob pena de perder os benefícios do acordo.

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