Lava-Jato: depoimento de Lula a juiz de Brasília foi tão grotesco e rasteiro que voz de prisão seria prêmio

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Fosse o Brasil um país minimamente sério e disposto a aplicar a legislação vigente de forma isonômica, sem qualquer tipo de privilégio ou distinção, Luiz Inácio da Silva, o dramaturgo do Petrolão, teria saído algemado e preso do depoimento prestado ao juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.

Sempre abusando da vitimização, Lula, réu por tentativa de obstrução à Justiça, foi ouvido na ação penal que versa sobre a fracassada investida para comprar o silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras.

Visivelmente nervoso, até porque o gestual reforçava sua intranquilidade, Lula fez do seu depoimento uma espécie de comício de gabinete, agarrando-se a frases de efeito e insistindo na tese de que é um inocente alvo de um “quase massacre”.

A forma com que Lula dirigiu a palavra aio magistrado foi tão grosseira e destemperada, que fosse um réu comum teria sido repreendido e enquadrado no que determina a lei. Ao contrário, o petista faz da sala de audiência uma passarela para a sua arrogância, como se não existisse lei que pudesse alcançá-lo.

Presunçoso, assim como manipulador, o ex-metalúrgico chegou a citar a Bíblia para justificar o uso indevido de seu nome por pessoas que sequer conhece. “Doutor, se o senhor soubesse quanta gente usa meu nome em vão… De vez em quando, eu fico pensando para as pessoas lerem a Bíblia para não usar tanto meu nome em vão”, disse o petista.

Sobre a tentativa de atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato, até porque está cada vez mais provado seu envolvimento no Petrolão, Lula voltou a recorrer à sua conhecida mitomania e disse que é o maior interessado no fim da corrupção.


“Tem gente que acha que eu sou contra a Lava Jato. Pelo contrário, eu quero que a Lava Jato vá fundo pra ver se acaba com a corrupção”, declarou Lula, mesmo tendo operado nos bastidores para interromper as investigações, como demonstram as gravações telefônicas realizadas com autorização judicial (vídeo abaixo).

Agarrando-se à teatralidade, como se estivesse diante da patuleia de aluguel que o aplaude incondicionalmente, Lula, no último trecho do depoimento, chegou às lágrimas ao afirmar que não há provas para incriminá-lo.

“Eu estou com muita coisa na garganta para falar. Eu estou cansado de ver procurador dizer que não precisa de provas, que tem convicção, de juiz dizer ‘eu não preciso de provas, eu vou votar com fé’. Eu quero prova. Alguém tem que dizer qual o crime que eu cometi. (…) Tenho 71 anos de vida, eu cansei, cansei de ver as instituições que eu ajudei a criar desde a Constituinte desvalorizadas. Eu sempre valorizei o Ministério Público, a Polícia Federal e o Judiciário. Eu indiquei quase todos, nunca pedi um favor pessoal”, disse.

Lula pode dizer o que quiser, mas não se pode esquecer que o Partido dos Trabalhadores, enquanto na oposição, via de regrar aterrissava nas redações dos principais veículos da imprensa brasileira com documentos de origem não comprovada para implodir os adversários políticos. Não se trata de defender o “vale tudo”, até porque sem provas não há condenação, mas sua condição de réu no processo em questão significa que são robustas as provas que embasaram a denúncia aceita pela Justiça.

O depoimento em questão foi mais um espetáculo mambembe na vida de Lula, que tinha dois objetivos com esse comportamento típico de porteiro de lupanar. O primeiro era criar certa blindagem em relação a Lava-Jato, algo que vem sendo tentado nos últimos meses sem sucesso algum. O segundo objetivo era criar a base de um discurso que será repetido à exaustão nas viagens que Lula promete fazer pelo Brasil, como pré-candidato à corrida presidencial de 2018.

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