Lava-Jato: depois do escândalo do sítio, Lula vê farsa do triplex desabar com depoimento de Léo Pinheiro

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Enquanto a cara defesa de Luiz Inácio da Silva insiste em afirmar que o petista é inocente e que não há provas contra ele, os delatores da Operação Lava-Jato continuam fazendo um estrago inusitado. Como se não bastasse os devastadores depoimentos dos delatores da Odebrecht sobre o sítio em Atibaia, o ex-presidente da OAS não poupou Lula e soltou a voz.

José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, disse ao juiz Sérgio Moro, durante audiência em Curitiba, que no momento em que a empreiteira assumiu os empreendimentos da falida Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários do Estado de São Paulo) foi informado de que não deveria se preocupar com triplex no Edifício Solaris (antigo Edifício Mar Cantábrico), pois o imóvel pertencia a Lula.

Ao deparar-se com passivos elevados dos empreendimentos que antes pertenciam à Bancoop, Léo decidiu procurar João Vaccari Neto, ex-presidente da entidade e ex-tesoureiro do PT. Vaccari, que está preso em Curitiba na esteira da Lava-Jato, disse à época que o empreiteiro deveria tratar do assunto diretamente com Lula.


Léo Pinheiro seguiu o conselho de Vaccari e falou com o petista-mor sobre o triplex praiano, tendo, inclusive, acompanhado Lula e Marisa Letícia em visita ao imóvel, em Guarujá. Em segunda visita, desta vez sem a presença de Lula, Léo Pinheiro recebeu alguns pedidos a ex-primeira-dama, que na ocasião disse que a família gostaria de passar o réveillon de 2014 no apartamento.

A defesa do ex-presidente da República começou a perder a pompa e a circunstância depois dos depoimentos dos delatores da Odebrecht. Como tornou-se difícil negar o envolvimento de Lula no escandaloso caso do sítio, até porque há provas documentais sobre a reforma na propriedade, os advogados passaram a centrar força no discurso de que o apartamento triplex não pertence ao ex-metalúrgico.

A situação de Lula vem piorando sobremaneira com o passar das horas e negar a propriedade do apartamento no litoral paulista tornou-se algo inócuo, mesmo diante das frágeis teses sustentadas pelos advogados.

A questão, nesse caso, é que Léo Pinheiro avança nas negociações de acordo de colaboração premiada, por isso depende da verdade máxima para garantir redução de pena. Por outro lado, Lula, que luta desesperadamente para evitar condenação, precisa da mentira para não acabar atrás das grades. Em suma, entre acreditar em Léo Pinheiro e acreditar em Lula, a primeira opção é a menos arriscada.

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