Lava-Jato: Odebrecht já entregou planilha que comprova pagamento de R$ 2,5 milhões a Andrés Sanchez

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Quando surgiu a notícia de que uma rena esportiva seria construída para recepcionar o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, o UCHO.INFO afirmou que se tratava de uma sandice, pois a capital paulista tinha àquela época, como ainda tem, estádios com capacidade para sediar o evento. Uma dos estádios era o Cícero Pompeu de Toledo, do São Paulo Futebol Clube, que carecia de obras de adequação. Essa possibilidade foi descartada, pois prevaleceu uma eterna queda de braços entre cartolas corintianos e tricolores.

Com intenso lobby feito pelo então presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, junto à CBF, que por sua vez tratou de conversar com a cúpula da FIFA, um estádio foi erguido em Itaquera para ser palco da primeira partida da Copa de 2014.

Na ocasião, a empreiteira Odebrecht aceitou erguer a arena após pedido do então presidente Lula, corintiano conhecido e conselheiro vitalício do clube de Parque São Jorge. Marcada por muitas polêmicas, começando pelo benefício fiscal concedido ao empreendimento pela prefeitura paulistana, as negociações em torno da construção do Itaquerão foram recheadas de idas e vindas, desde problemas com o terreno até a obtenção de financiamento para a obra.

Em depoimento às autoridades da Operação Lava-Jato, o empresário Marcelo Bahia Odebrecht, ex-presidente do grupo empresarial Odebrecht, disse considerar o estádio do Corinthians um “absurdo” e que as tratativas para a obtenção de recursos aconteceram durante jantar em sua residência.

O encontro, que selou o acordo, contou com a presença de representantes dos governos federal, estadual e municipal e do Corinthians, além do ex-jogador Ronaldo Nazário. “O Kassab, o Alckmin e o Governo federal, nessa época ainda o Lula, disseram vamos ver como a gente viabiliza a questão do estádio do Corinthians. O alinhamento foi em jantar em casa. Nesse jantar acertou-se o que levaria ao modelo final e os compromissos que cada um assumiria”, disse Marcelo.


O empresário também afirmou ter feito um aditivo no final da obra, no valor de cerca de R$ 350 milhões, para conseguir completá-la e pagar obrigações que eram de responsabilidade da prefeitura. Projetada para custar R$ 350 milhões, o valor da construção do estádio saltou para R$ 820 milhões com a Copa do Mundo, mas ao final a cifra chegou a mais de R$ 1,1 bilhão.

No acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava-Jato, delatores da Odebrecht relataram o pagamento de R$ 2,5 milhões a Andrés Sanchez, em 2014, ano em que o cartola elegeu-se deputado federal pelo PT com 169.658 votos.

A informação foi repassada às autoridades por dois ex-executivos da Odebrecht: Luiz Bueno, ex-diretor-superintendente da empreiteira, e Benedicto Júnior, o BJ, ex-presidente de Infraestrutura do grupo baiano.

André Luiz de Oliveira, o André Negão, vice-presidente do Corinthians e assessor parlamentar de Sanchez, é acusado de ter recebido os R$ 2,5 milhões, em espécie. Andrés e Negão negam irregularidades, mas a Odebrecht já entregou aos investigadores da Lava-Jato a planilha de pagamento referente ao agora deputado Andrés Sanchez.

No documento, as citações “Timão” e “Alface” apareceram relacionadas a um endereço na zona leste de da capital paulista, identificado pela Polícia Federal como a residência de André Negão. Havia também um lembrete de um pagamento de R$ 500 mil a ser liquidado em 23 de outubro de 2014, ou seja, dezoito dias após a realização das eleições daquele ano.

Mesmo afundando cada vez mais na lama desse imbróglio, Andrés Sanchez tem o direito de rebater a acusação, mas será difícil convencer os investigadores de sua aludida inocência. Afinal, uma eleição com quase 170 mil votos exigiu, na ocasião, o desembolso de aproximadamente R$ 7 milhões, já considerado nesse valor a notoriedade de um ex-presidente do Corinthians.

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