Mais de cem presos perigosos continuam foragidos após rebelião e massacre em penitenciária de Manaus

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De acordo com informações de autoridades do governo do Amazonas, mais de cem presos continuam foragidos desde as violentas rebeliões que ocorreram em dois presídios em Manaus no início do ano e que deixaram dezenas de mortos..

Dos 184 presos que fugiram do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), apenas 70 foram capturados pelas autoridades, e acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.

O Compaj foi cenário de uma sangrenta revolta que durou 17 horas e na qual integrantes da facção Família do Norte (FDN), ligada a integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), iniciaram uma caçada aos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O massacre deixou 56 mortos, a maior parte por decapitação e esquartejamento.

A maior parte dos mortos na chacina integrava a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), rival da Família do Norte (FDN), grupo ligado também à facção Comando Vermelho e que dominava o Compaj.

O episódio representou o segundo maior massacre na história carcerária do País, depois do episódio trágico ocorrido no presídio do Carandiru, na Zona Norte da capital paulista, em 1992, quando oficialmente 111 detentos morreram em confronto com a polícia. Segundo dados apurados pelo UCHO.INFO junto a agentes penitenciários que trabalhavam no local no dia do massacre, o número de mortos pode ter chegado a 300, sendo que os corpos não reivindicados pelos familiares foram retirados do presídio paulista em caminhões de lixo.

Depois da rebelião em Manaus, a Justiça determinou a transferência de 20 presos que foram ameaçados de morte no Compaj para a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no centro da capital amazonense. No entanto, após nova rebelião no presídio, no último domingo (8), que deixou quatro mortos, os detentos foram novamente transferidos para unidade prisional no interior do estado.

Contudo, nesta terça-feira, a Justiça determinou a terceira transferência do grupo, que foi levado novamente para Manaus. O governo não informou o motivo da nova transferência.


Elo com facções

O governo do Amazonas exonerou o diretor-interino do Compaj, José Carvalho da Silva. Em nota, a administração estadual informou que Silva foi acusado de receber dinheiro da FDN para facilitar a entrada de drogas, armas e celulares na penitenciária e informou que abriu sindicância para investigar as denúncias.

A acusação foi feita por dois detentos, assassinados no massacre, em cartas que foram entregues à Defensoria Pública do Amazonas no dia 10 de dezembro. Os documentos foram anexados ao processo de um deles no dia 14 de dezembro, para conhecimento do juiz Luis Carlos Valois, titular da Vara de Execuções Penais.

Ambos afirmaram que estavam sendo ameaçados de morte. “Eles são corruptos e recebem dinheiro da facção criminosa facilitando a entrada de drogas e celulares e [também] a última fuga no Compaj”, disse um deles, referindo-se a diretores da unidade prisional.

Como o Judiciário entrou em recesso no dia 20 de dezembro, os pedidos do defensor público ainda não foram analisados. À Agência Brasil, o juiz Valois disse que não recebeu em mãos o pedido da Defensoria Pública e os documentos citados, nem sequer foi procurado pela defesa dos presos para tratar do assunto.

A gestão do Compaj compete à empresa terceirizada Umanizzare, que administra outros cinco estabelecimentos prisionais no Amazonas e dois no Tocantins. Em nota, a empresa informou que o comando das unidades cabe a servidores públicos indicados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária.

Desde o início do ano, o país atravessa uma crise carcerária, que já deixou pelo menos 100 presos mortos no Amazonas, na Paraíba e em Roraima. (Com agências de notícias)

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