Maquiagem de preços e produtos indisponíveis embalaram as queixas na Black Friday, a “Black Fraude”

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Em seu quinto ano no País, a versão brasileira da Black Friday continua sendo alvo de inúmeras reclamações dos consumidores. Na sexta-feira (27), mais uma vez, a maquiagem de preços e descontos, além da venda de produtos indisponíveis no estoque, foi a protagonista do dia.

Até às 16 horas, a Fundação Procon de São Paulo recebeu 850 queixas, a maioria sobre lojas que aumentam os valores dos produtos pouco antes de anunciar a promoção. Isso já vinha sendo observado nas edições anteriores da Black Friday, o que vem deixando os consumidores mais atentos a cada ano.

Era possível encontrar um celular Z3 Compact da Sony no site Americanas.com por R$ 1.059,00, o mesmo preço de um mês atrás, porém, o site anunciava que o preço tinha caído de quase R$ 2.000,00 para os mesmos R$ 1.059,00.

Em outro caso do mesmo site, o jogo Metal Gear Solid V para PlayStation 4 foi lançado com preço-base de R$ 199 no Brasil, mas na “oferta” de 50% de desconto aparecia que o preço anterior era de R$ 399 e o atual era R$ 196,86. Logo após uma reclamação no Facebook, o preço caiu para R$ 189,90.

Na página KaBuM!, site especializado em vender eletrônicos, um teclado gamer mecânico estava por R$ 279,90. Porém, no carrinho virtual, o preço mudava para R$ 470,47. O atendimento via chat do site informou a um consumidor que a oferta não estava ativa para o teclado, só não contava que ele havia capturado a tela da promoção.

No Magazine Luiza, há cerca de dois meses um aspirador custava R$ 80, nesta sexta a loja alardeava o mesmo produto em “promoção” de R$ 299 por R$ 89.

Apesar da maquiagem de preços, nem tudo foi decepção. Na Mobli foi possível encontrar uma cadeira para computador de escritório de R$ 1.200 por R$ 400.

Outro problema apontado pelos consumidores foi o custo de entrega das compras online. No site Submarino era possível encontrar alguns jogos para computador no valor de R$ 6, mas com frete de R$ 192,84.

Vale destacar que o frete é o único item que pode ser informado apenas no final da compra, o que faz com que, na prática, os sites burlem as ferramentas de pesquisa de preços baixos. Por não ter uma diretriz específica em relação a limites de valores, o preço do frete varia de acordo com a localização e dá às empresas vendedoras a opção de escolher o transporte que julgar adequado.

Segundo a diretora-executiva da Fundação Procon de São Paulo, Ivete Maria Ribeiro, o custo de entrega faz parte do produto em si. “Não pode ser algo abusivo. O consumidor tem de ficar atento às estratégias que algumas empresas estão usando para lucrar mais”, alerta.

Ivete inclusive recomenda que, ao sentir que os valores de frete ultrapassam os limites razoáveis, o consumidor registre a promoção com um print screen e envie aos órgãos de defesa do consumidor.

De olho nos descontos fraudulentos, os órgãos de defesa do consumidor montaram uma força-tarefa para receber denúncias durante a Black Friday. O Procon-SP, por exemplo, realiza um plantão desde quinta-feira e divulgou uma lista que mostra a evolução de preços de eletrodomésticos, celulares e eletrônicos, remontando até setembro.

A Proteste, associação de defesa do consumidor, também divulgou nesta sexta uma lista de preços de itens acompanhados pela entidade nos últimos meses.

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