Marcelo Odebrecht diz em depoimento no TSE que estádio do Corinthians é “pepino” para a empreiteira

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Em meados de 2014, faltando aproximadamente um ano para o início da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, o editor do UCHO.INFO afirmou a um dos mais respeitados jornalistas esportivos do País, cujo nome preservamos nesta matéria, que o estádio do Corinthians estava coberto de problemas e que em pouco tempo o clube teria sérios problemas com sua tão sonhada arena.

Com a avalanche de superfaturamentos que marcaram a construção de estádios para a Copa da FIFA, País afora, não demorou muito para que os primeiros escândalos começassem a surgir. Além dos estádios que são considerados, desde os respectivos projetos, como elefantes brancos, outras arenas custaram muito mais do que o planejado.

Em relação ao Itaquerão, como é popularmente conhecida a arena do alvinegro paulistano, o ex-presidente e herdeiro do Grupo Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, disse ao ministro Herman Benjamin, do TSE, que a obra é um “pepino” para a empreiteira. A reclamação maior do empresário refere-se ao atraso nos pagamentos por parte do clube.

“Moral da história: eu fiz uma coisa que não interessava para a gente. Hoje, estou com um pepino, porque a gente tem uma garantia com a Caixa Econômica Federal e o Corinthians não paga a gente”, disse Odebrecht ao ministro do Tribunal Superior Eleitoral, durante depoimento no âmbito do processo que investiga abuso de poder político e econômico na chapa Dilma-Temer, em 2014.

Marcelo também reclamou dos R$ 100 milhões gastos para montar as estruturas provisórias exigidas pela FIFA para que arena corintiana tivesse capacidade mínima para receber o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.

“Só um exemplo claro: aí, o Corinthians lá assume uma responsabilidade de R$ 100 milhões para estruturas provisórias para a Copa. Aí, o Corinthians ‘não tenho dinheiro’. Aí a prefeitura diz que vai pagar e não tem dinheiro. A Copa é daqui a noventa dias; ninguém cuidou das estruturas… eu estou na minha. Não é responsabilidade nossa. ‘Aí, não, mas a Odebrecht tem que resolver’. Pô, como é que eu vou resolver?”


Preso em Curitiba desde junho de 2015, por determinação do juiz Sérgio Moro, o empresário revelou que aceitou construir o Itaquerão contra a sua vontade e que as garantias prometidas à empreiteira não foram cumpridas.

“A gente só entrou na Arena Corinthians porque o governo tinha prometido financiamento para a realização da Copa do Mundo; aí depois não dão. Aí, eu passo uma grande parte do tempo lutando para conseguir o que eles tinham prometido para a gente entrar”, reclamou.

Voltando no tempo… Não se pode esquecer a declaração de Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração do grupo empresarial e pai de Marcelo, prestada em 2016 e no bojo de depoimento de delação premiada, de que a arena Corinthians foi um “presente” para Lula, que além de torcedor é conselheiro vitalício do clube.

Em 2011, o então presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, atualmente cumprindo mandato de deputado federal pelo PT de São Paulo, disse que Emílio Odebrecht havia participado da estruturação financeira da obra. “Quem fez o estádio fomos eu e o Lula. Garanto que vai custar mais de R$ 1 bilhão. Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht”, afirmou o cartola corintiano.

Ao final da obra, o custo do Itaquerão bateu na marca de R$ 1,2 bilhão, o dobro do valor previsto inicialmente. A conta, sem adição de juros e multas, é simples: R$ 400 milhões do BNDES, R$ 420 milhões dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs) e R$ 350 milhões de empréstimo bancário junto à Caixa Econômica Federal.

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