Morre no Rio de Janeiro, aos 86 anos, o genial e inquieto escritor Ferreira Gullar

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Poeta, escritor e teatrólogo, o maranhense Ferreira Gullar morreu na manhã deste domingo (4), aos 86 anos, em decorrência de pneumonia e insuficiência respiratória.

Um dos mais importantes representantes da literatura nacional, Gullar estava internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Ferreira Gullar era membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014 e destacou-se no campo da poesia, da literatura e da crítica literária, quase sempre com um apelo político.

Seu primeiro livro foi “Um Pouco Acima do Chão” (1949), seguido por “A Luta Corporal” (1954), que trouxe o conceito da poesia inovadora em termos estéticos. Desde então, esse marca poética foi presente em seu trabalho, como marcou seu trabalho, como nos recentes livros “Em Alguma Parte Alguma” e “Bananas Podres”.


Dono de pensamento polêmico e inquieto, Ferreira Gullar participou da Exposição Nacional de Arte Concreta, em 1956, ao lado dos irmãos Augusto e Haroldo de Campo, evento considerado como passo primeiro do concretismo, movimento que marcou a literatura poética do século XX.

Em 1976, Gullar lançou “Poema Sujo”, sua mais célebre obra, com cem páginas de poesia com inequívoca essência política, que não demorou a tornar-se um símbolo de resistência à ditadura militar. A obra chegou ao Brasil através de fita cassete trazida de Buenos Aires pelo “poetinha” Vinicius de Moraes, que visitou Gullar em seu exílio.

Nascido em São Luís, em 10 de setembro de 1930, sob o nome José Ribamar Ferreira, Gullar venceu os prêmios Machado de Assis da Biblioteca Nacional em 2005, e o Camões, o mais importante da língua portuguesa do planeta, em 2010. O inquieto escritor deixa a esposa, dois filhos e oito netos.

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