Previdência: desfigurado na Câmara, projeto de reforma pode não produzir efeito esperado na economia

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Depois do susto que levou na noite de terça-feira (18), na Câmara dos Deputados, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) precisou operar às pressas nos bastidores, nesta quarta-feira, para conseguir aprovar o regime de urgência para o projeto de reforma trabalhista (287 votos a favor e 144 contra).

Com a decisão do plenário da Casa, a tramitação do projeto será mais rápida, podendo a votação final acontecer na próxima quarta-feira (26). A votação na Comissão Especial deverá acontecer na próxima terça-feira (25).

Por outro lado, o Palácio do Planalto deveria usar a dificuldade enfrentada no caso da reforma trabalhista como régua para a votação da reforma da previdência. O Palácio do Planalto continua apostando suas fichas na aprovação do projeto de reforma da Previdência no plenário da Câmara, mas é preciso cautela. A medida é impopular, apesar de extremamente necessária.

O risco que ronda o projeto é que o próximo ano é de eleições e os parlamentares – muitos precisando da reeleição para manter o foro privilegiado – tentam escapar da reação do eleitorado nas urnas.


Se a reforma da Previdência tropeçar na Câmara – a chance de isso acontecer é pequena, mas real – o governo sairá dessa empreitada com sonora derrota na bagagem. Os palacianos garantem que a proposta será aprovada, mas as dificuldades enfrentadas pelo governo nos últimos dias mostram que essa certeza é frágil.

Tomando por base que a proposta apresentada pelo governo foi desfigurada, em especial pelo motivo acima mencionado, pouco restou do projeto original. O único ponto da proposta que foi mantido é a idade mínima para a aposentadoria dos homens: 65 anos. Além disso, a esquerda colérica, atualmente na oposição ao governo Temer, tenta ressurgir na cena política cerrando fileiras contra a matéria.

Da forma como o projeto está atualmente, depois das alterações, dentro de alguns anos a Previdência exigirá nova reforma. Isso porque não será possível alcançar a almejada redução do rombo da Previdência.

A equipe econômica do governo de Michel Temer garante que mesmo com alterações a reforma da Previdência impactará positivamente na economia do País, mas há quem duvide desse otimismo oficial. Até porque, a Previdência Social continuará colocando sob risco o ajuste fiscal. Isso significa que o governo terá de apelar ao enxadrismo financeiro para cumprir os compromissos previdenciários, ou seja, investimentos sofrerão cortes.

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