Putin diz que não expulsará americanos em represália à decisão da Casa Branca

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta sexta-feira (30) que “não expulsará ninguém” em resposta às sanções à Moscou e à expulsão de 35 diplomatas russos pelos Estados Unidos, anunciada na quinta-feira. De acordo com a agência de notícias RIA, Putin disse que avaliará as ações do presidente eleito Donald Trump antes de tomar decisões sobre as relações entre Rússia e Estados Unidos.

A declaração de Putin foi anunciada pelo Kremlin, em comunicado. Pouco antes, o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, havia dito que propôs a Putin a expulsão de 35 diplomatas americanos e a proibição de uso de dois complexos em Moscou pelos americanos, em resposta à medidas semelhantes adotadas pelos EUA.

“Não podemos deixar tais medidas sem uma resposta”, afirmou o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov. “A reciprocidade é a lei da diplomacia e das relações internacionais”, justificou, segundo comentários divulgados pela mídia estatal. Ele disse que as acusações de interferências na eleição americana não têm fundamento.

Pela proposta de Lavrov, 31 diplomatas americanos de Moscou e quatro de São Petersburgo seriam considerados persona non grata. Em tais casos, é praxe no meio diplomático expulsar o mesmo número de diplomatas do país.

Na quinta-feira, o governo do presidente Barack Obama determinou a expulsão do país de 35 diplomatas, fechou dois complexos em Nova York e Maryland e anunciou sanções a nove entidades ou pessoas da Rússia, incluindo serviços secretos, em resposta a uma alegada interferência nas eleições presidenciais de novembro.


Republicanos divididos

A imposição de sanções contra a Rússia por Obama provocou reações distintas entre líderes do Partido Republicano. Muitos exigiram uma resposta ainda mais dura aos supostos ciberataques russos durante campanha presidencial americana, enquanto outros apontaram a atitude como “apropriada”. Em meio à tensão, o presidente eleito, Donald Trump, prometeu resolver a questão assim que tomar posse, no dia 20 de janeiro.

A decisão, anunciada por Obama três semanas antes de deixar o cargo, foi classificada pelos senadores republicanos John McCain, do Arizona, e Lindsey Graham, da Carolina do Sul, como um “preço baixo” pela interferência russa nas eleições americanas. Eles prometeram liderar os esforços no Congresso para impor sanções ainda mais pesadas. Para ambos, as retaliações do democrata vêm tarde demais.

Porém, alguns parlamentares americanos que vinham há tempos insistindo em uma postura mais dura em relação à Rússia passaram a adotar um novo discurso diante das promessas de Trump de estreitar os laços com Moscou. O presidente da Câmera dos Representantes e líder republicano no Congresso, Paul Ryan, foi um dos que aprovou a medida: “Apesar de a ação de hoje adotada pelo governo estar atrasada, é uma forma apropriada de encerrar oito anos de política fracassada com a Rússia”, avaliou.

“Elefante em loja de porcelana”

Já a embaixada da Rússia em Londres afirmou que as ações do governo Obama remetem à Guerra Fria. Através do Twitter, o órgão disse que “ficará feliz de ver o fim desta administração infeliz”.

O governo russo disse que as sanções impostas pelos Estados Unidos são infundadas e rejeita as alegações de interferência nas eleições presidenciais americanas. “Como já dissemos antes, acreditamos que tais decisões, tais sanções sejam infundadas e ilegais do ponto de vista do direito internacional”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. “Rejeitamos alegações e acusações infundadas contra a Rússia”.

Peskov acusou Obama de se comportar como “um elefante em uma loja de porcelana”, mas disse acreditar que o futuro governo Trump revogará as medidas “desastradas” do presidente democrata.
Isso é bem provável. Em reposta ao anúncio das sanções, Trump disse que pretende se encontrar com líderes da inteligência na próxima semana para se informar sobre a situação. Ele afirmou, contudo, que é “tempo de o nosso país se voltar para coisas maiores e melhores”. O magnata desqualificou as acusações de interferência russa no resultado das eleições americanas como “ridículas”.

Se quiser revogar a decisão do antecessor, Donald Trump precisará de relatórios da CIA para convencer congressistas norte-americanos. Contudo, a o serviço de inteligência dos EUA já confirmou a ingerência do Kremlin na corrida rumo à Casa Branca. (Com agências internacionais)

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