Responsável pela emissão das notas fiscais da assessoria de Palocci tem cargo de chefia na Casa Civil

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Pingos nos is – Antonio Palocci Filho tem feito o que pode para não ter de explicar o inexplicável, mas muito se fala sobre quem seria o autor do fogo amigo que alvejou o ministro-chefe da Casa Civil. Alguns especialistas (sic) em política garantem que a delação partiu do também petista Ricardo Berzoini, um dos pilares do escândalo da Bancoop, mas outros afirmam que a denúncia contra Palocci é coisa de José Dirceu. Independentemente de quem seja o autor, fato é que todos os especialistas são uníssonos em afirmar que isso se deu porque algum companheiro – não necessariamente os dois citados – deixou de ser atendido em seus pleitos.

Enquanto o processo de adivinhação avança, a reportagem do ucho.info revela como funcionou o esquema do ministro Palocci, cuja empresa de consultoria, a “Projeto”, ficou durante algum tempo instalada em um escritório da Zona Sul da capital paulista. Não se sabe por qual motivo, mas a Projeto sublocava uma sala no escritório de Ademir Scarpin, consultor e conselheiro de algumas conhecidas empresas.

De acordo com o que apurou o ucho.info, Antonio Palocci Filho jamais apareceu no prédio localizado no número 192 da Rua Iguatemi, esquina com a Rua Tabapuã, a uma quadra da badalada e concorrida Avenida Brigadeiro Faria Lima. Lá, no escritório de Scarpin, apenas um assessor do ministro, Brani Kontic, raramente aparecia. Ex-chefe de gabinete do então deputado federal Antonio Palocci, o fiel Brani foi ao escritório de Scarpin para aprender a emitir as notas fiscais eletrônicas da “Projeto”, cujos registros estão arquivados na prefeitura da cidade de São Paulo. Resumindo, Brani Kontic era pago pela Câmara dos deputados para também cuidar dos assuntos relacionados à empresa de Palocci.


Edifício onde funciona o escritório de Ademir Scarpin

Em 2007, a bordo do ineditismo jornalístico que se tornou uma das marcas deste site, alertamos os nossos leitores para a atividade paralela do então deputado federal Antonio Palocci, que, segundo apurou a nossa reportagem, não tinha tempo hábil para se dedicar a consultorias, contrariando nota divulgada pela assessoria da Casa Civil da Presidência da República. Em outras palavras, Palocci se valeu do fato de ter passado pelo Ministério da Fazenda para se dedicar de forma escancarada ao lobby.

Naquela ocasião, o homem forte do governo Dilma Rousseff se dedicou a contemplar as necessidades nada ortodoxas de muitas instituições financeiras nacionais e estrangeiras. Com o passar do tempo, Palocci passou a atender, além de bancos, empresas de diversos setores, como, segundo informações vazadas por parlamentares, Pão de Açúcar, Íbis, LG, Samsung, Claro-Embratel, TIM, Oi, Sadia Holding, Embraer Holding, Dafra, Hyundai Naval, Halliburton, Volkswagen, Gol, Toyota, Azul, Vinícola Aurora, Siemens, Royal Caribbean. Fora isso, Palocci Filho teria operado a fusão entre os bancos Itaú e Unibanco, o que, se confirmado, explica a anuência genuflexa do governo de Lula da Silva diante de um negócio que aconteceu à sombra da teoria da formação de cartel.

Por decisão do próprio Palocci a sua empresa de consultoria financeira mudou de endereço. A “Projeto” saiu da badalada região da Faria Lima para um escritório modesto em termos de espaço, mas fincado no coração dos Jardins, o mais nobre e cobiçado quadrilátero paulistano, onde ricos, poderosos e celebridades se entregam às compras luxuosas e a restaurantes bons e caros. Em tese, o consultor Palocci passou a atender no Edifício Barão de Pedra Negra, localizado no número 1304 da Alameda Lorena. E quem cuidou da locação do novo escritório e da mudança foi o sempre atento e prestativo Brani Kontic.


Edifício da Alameda Lorena que abrigou o segundo escritório da “Projeto”

Há nessa história alguns detalhes interessantes e que não podem ser deixados de lado. O dono do primeiro escritório, o também consultor Ademir Scarpin, que abrigou a empresa de Antonio Palocci, foi durante alguns anos diretor da Vicunha, empresa controlada pelo empresário Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional, além de entusiasta e financiador da campanha do petista Aloizio Mercadante ao Senado Federal, em 2002. Foi no jatinho de Steinbruch que o irrevogável Mercadante conseguiu cruzar o mais importante estado brasileiro, São Paulo, em sua cruzada para angariar os quase 10,5 milhões de votos que permitiram que o petista protagonizasse fiascos seguidos na Câmara Alta.

As tratativas que antecederam a locação do segundo escritório que serviu de base para a “Projeto” ficaram por conta de Brani Kontic, que, segundo consta, teria convencido a senadora Marta Suplicy (PT-SP) a ser fiadora. Kontic, por sua vez, não foi abandonado à beira do caminho com a ida de Palocci para o segundo mais importante gabinete do Palácio do Planalto. Brani Konti responde atualmente pela chefia da Assessoria Especial da Casa Civil.

Parlamentares da oposição estão às voltas querendo esclarecer a meteórica e milionária evolução patrimonial de Palocci, que se recusa a falar, como forma de evitar que o estrago no governo da companheira Dilma Rousseff seja ainda maior. Como a blindagem de Palocci tem se mostrado resistente à artilharia oposicionista, o melhor a se fazer é convocar Ademir Scarpin e Brani Kontic, pois ambos certamente têm muito a dizer.

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