Nada muda com a saída de Negromonte das Cidades, que será controlado por outra banda do PP

Banco de reservas – Na entrevista que concedeu aos jornalistas após solenidade no monumento a Jose Martí, em Havana, a presidente Dilma Rousseff disse que as questões de política interna serão tratadas somente a sua volta ao Brasil, depois visita ao Haiti. Perguntada sobre o futuro do ministro Mario Negromonte, das Cidades, que pode deixar o governo por conta de denúncias de irregularidades, Dilma foi incisiva: “Olha, as questões relativas ao Brasil eu já disse anteriormente – mas vocês são insistentes, inteligentes e rápidos – que as questões relativas ao Brasil discutimos no Brasil a partir de quinta-feira”.

Vítima de uma rebelião interna no partido ao qual é filiado, o PP, Negromonte caiu em desgraça com os correligionários após tropeçar na armadilha planejada por um grupo de parlamentares que deseja chegar ao Ministério das Cidades. Na tarde desta terça-feira (31), Mario Negromonte deve reunir-se, em palácio, com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que a pedido de Dilma deve tratar da saída do ministro. No contraponto, assessores do ministro afirmam que o encontro servirá para tratar das ações da pasta em prevenção de desastres naturais.

É importante lembrar que até 2014 o Ministério das Cidades terá a incumbência de gerenciar verbas bilionárias, que serão liberadas pelo governo federal em razão da Copa do Mundo, além dos Jogos Olímpicos de 2016.

Desde que chegou ao poder, Dilma tem se valido da mudez diante de ministros e assessores que se envolvem em escândalos e transgressões. Em nenhum momento a presidente colocou em prática intransigência com a corrupção, anunciada na campanha presidencial, até porque se assim o fizesse seu governo tornar-se-ia inócuo, o que não significa que algo de excepcionalmente proveitoso esteja em marcha.

A situação de Mario Negromonte avança cada vez mais na do insustentável, mas considerando que o Partido Progressista continuará mandando na pasta, como pagamento pelo apoio no Congresso Nacional, Dilma apenas trocará a raposa que toma conta do galinheiro.