Ministro Marco Aurélio empata placar dos embargos infringentes; desempate caberá a Celso de Mello

(Foto: Nelson Jr. - STF)
Voto de minerva – Em desesperada tentativa de salvar os mensaleiros condenados à prisão, o ministro Luís Roberto Barroso, calouro na Corte, decidiu polemizar com o também ministro Marco Aurélio Mello, que em seu voto contra a admissibilidade dos embargos infringentes proferiu uma aula magna sobre Direito Penal.

Com a elegância que lhe é peculiar, sempre marcada pelo linguajar castiço do Direito, o ministro Marco Aurélio colocou o colega de magistratura em seu devido lugar, pois afinal foi repreendido pelo estreante por dar ao seu voto o viés do convencimento dos pares.

O voto de Marco Aurélio Mello deixa o placar novamente empatado, cabendo ao decano da Suprema Corte, o ministro Celso de Mello, o desempate. A exemplo do que ocorre regularmente às quintas-feiras, alguns ministros do STF participam de sessão no Tribunal Superior Eleitoral. Por conta disso, o voto de Celso de Mello deve ficar para a próxima quarta-feira (18), adiando mais uma vez a definição sobre o mais longo julgamento da história do Judiciário nacional.

Em trecho do seu voto, condenando a decisão de alguns ministros contrária à Constituição, Marco Aurélio usou uma figura de linguagem para exemplificar a teimosia burra de parte da Corte que tenta salvar um grupo de políticos criminosos. “Nós decidimos ficar em disco riscado na mesma faixa”, disse o ministro. Em outro trecho, confirmando o que noticiou o ucho.info acerca da defesa que alguns ministros fazem dos condenados, Marco Aurélio Mello foi taxativo: “processo não tem capa, tem conteúdo”.

Independentemente de qual seja o resultado final, o Partido dos Trabalhadores enfrentará um desgaste político enorme, desde que a parcela de bem decida agir com vigor e objetividade, pois é inimaginável que os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção da história nacional saiam impunes.