O bilhão e seus nove zeros

(*) Marli Gonçalves –

marli_goncalves_22Nove zeros, um atrás do outro. Bilhão é muita coisa. Mil milhões. Um milhão de “mils”. Muito dinheiro. Muita gente. Muito roubo. Muito estrago. Para se ter uma noção do que realmente se passa ao nosso redor muitas vezes temos de recorrer à matemática. Só que atropelados dia a dia pelos fatos não temos mais tempo nem de parar para pensar e perceber qual é a verdadeira dimensão desses números. Vou tentar dar uma ajudada.

O mundo é muito grande, não? Tem gente para tudo quanto é lado, não? Pois somos, ao todo, ao todo, oficialmente, 7,2 bilhões de pessoas. Se cada pessoa desse mundo, incluindo as milhares que estão nascendo nesse exato momento, fosse um real, um realzinho desses, moeda, ainda assim não seria alcançado, por exemplo, o prejuízo da Petrobras, o oficial, veja bem, que ultrapassa fácil os 8 bilhões de reaizinhos. Como mentem em tudo, a gente pode tranquilamente puxar ainda mais para cima esse número. O mundo todo ainda não conseguiria tapar esse buraco. Aqui não tem avalanche nem vulcão; tem rombo. Nem precisamos de foguetes perdidos ou cometas.

Com isso, com esse valor, da mesma forma que estão conseguindo destruir um país, com mãos grandes e decisões patéticas, poder-se-ia reconstruir outro, como o Nepal, devastado pelo terremoto, incluindo aí reerguer os templos maravilhosos, as casas, os prédios. E ainda certamente sobraria um troco, porque aquele povo é dos que trocam bens por espiritualidade.

Deu para ter uma ideia? Pois é. Pior é pensar que, assim como a população mundial não para de crescer, aqui também esses prejuízos se alargam, porque não param de roubar um minuto, nem param de tomar as tais decisões patéticas. Não há um medidor para nos mostrar online quão assustador são esses números – como neste momento alguém está batendo a sua carteira.

Pensei nisso – e em como é bom que haja muitas coisas que podem ser acompanhadas no momento que ocorrem – ao ficar olhando pela internet o foguetinho Progress perdido dando voltas no mundo antes de se espatifar ao entrar na atmosfera, graças aos céus, caindo nos mares. Os peixes é que não devem ter gostado desses insossos pedaços russos de nave. Assim, achei um site – http://www.worldometers.info/br/ – bem dinâmico, que fica o tempo inteiro atualizando números mundiais, população, nascimentos, mortes, despesas governamentais, cigarros fumados e as mortes por eles causados, emissões e consumo de água, energia, petróleo, etc. Não contem para o prefeito de São Paulo, mas tem até o número de bicicletas fabricadas este ano, até esse momento que congelo para contar para vocês, 48.868.804, contra 23.705.470 carros produzidos.

Coisas de milhão. Voltando ao nosso bilhão, e relembrando que cada um bi tem mil milhões, repetimos: fomos tungados, e apenas no cálculo da Petrobras, em 8 bilhões de reais. Vocês aí querendo que ainda sobre dinheiro para a Saúde, Educação, infraestrutura? Só se tomássemos a Casa da Moeda.

Não temos ainda um bom contador desenvolvido, mas uma coisa é certa: está tudo grande. Os números não param. Juros, inflação, demissões, roubos, roubos, roubos, ministérios, secretarias, desinteligências. Tudo para mais de mil, milhão, bilhão. Sem essa de percentuais, tabelinhas, infográficos. Nada como uns bons zeros para se ter noção do que os zeros à esquerda no poder podem fazer de mal. E olha que não me refiro apenas à nossa Nação.

Dezenas, centenas, milhares, bilhões, trilhões. Ultimamente temos ouvido muito os dois últimos. Agora também é tudo K. Fulanos conhecidos têm milhares de K de seguidores, tipo Lady Gaga, Rihanna, Neymar.

Nos fazem lembrar de outra série – segundos, minutos, dias, horas, meses, anos, décadas – que lutamos para tentar sobreviver e melhorar as coisas. Nosso tempo também tem zeros, e cada vez mais temos de usá-los nem que seja pensando como pular a fogueira. Sobra pouco – quase nenhum – tempo, para falar com quem se ama, de quem temos saudades, às vezes apenas para dar um oi. Ficamos falando com grupos, nas redes sociais.

Aliás, quer saber? Vou aproveitar e fazer isso aqui mesmo: Luiz, como está? Acabou a dor? E os cachorrinhos? Já nasceram dentes na Serena? Gabi amada, você está feliz, sucesso total? Carmen, como vão as coisas aí para os seus lados? Irmão, você vem almoçar com a gente no domingo? Pradinho, que bela viagem! Mauro, se recuperando? Sua mãe continua preocupada. João, dê um beijo na Tânia e diga que rezo por ela, por forças, todos os dias. Ulysses, quando vem para São Paulo? Maria Helena, já conseguiu receber aqueles direitos autorais?

São Paulo, maio de 2015

(*) Marli Gonçalves é jornalista – A propósito, só hoje foram enviados mais de 146 trilhões de e-mails, fumados mais de 10 bilhões de cigarros, além de feitas quase 3 trilhões de buscas no Google.

Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no http://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

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