PF apura superfaturamento na construção da Arena Pernambuco; situação da Odebrecht se agrava

corrupcao_18Lupa na mão – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (14), em Pernambuco, a Operação Fair Play, que investiga denúncias de superfaturamento no valor inicial de R$ 42,8 milhões na construção da Arena Pernambuco, estádio construído pela empreiteira Odebrecht para a Copa do Mundo de 2014. Foram cumpridos na manhã de hoje dez mandados de busca e apreensão em sedes da construtora em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Os agentes também recolheram documentos na residência de dois sócios da empresa e na sede do Comitê Gestor de Parceria Público-Privada Federal, em Pernambuco.

A Odebrecht, alvo da Operação Lava-Jato por integrar o cartel de empreiteiras que superfaturavam contratos da Petrobras, é suspeita de manipular o projeto básico do edital de concorrência para a obra do estádio. Segundo a PF, a empreiteira foi autorizada a elaborar, sem licitação, o projeto básico da obra e omitiu informações, não apresentou justificativa para os custos adotados e exigiu atestados técnicos exorbitantes e com prazo exíguo de análise para as demais concorrentes, o que reduziu as chances de outras empresas de participarem do certame.

Os envolvidos na fraude responderão pelos crimes de organização criminosa voltada à corrupção de agentes públicos e à fraude em licitações. A Polícia Federal requisitou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informações relativas ao financiamento concedido à construtora.

Em nota, a assessoria de imprensa da construtora Norberto Odebrecht disse ter convicção da plena regularidade e legalidade do projeto. “A CNO reafirma, a bem da transparência, que sempre esteve, assim como seus executivos, à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e apresentar documentos sempre que necessário, sendo injustificáveis as medidas adotadas nesta data.”

A Operação Fair Play coloca mais holofote sobre o megaesquema de corrupção que se instalou no País com a chegada do PT ao poder central, em janeiro de 2003, podendo alçar à mira das investigações outras arenas esportivas que foram erguidas pela construtora Odebrecht, cujo presidente licenciado, Marcelo Odebrecht, encontra-se preso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história moderna. A Fair Play mal foi deflagrada e muitos cartolas e políticos envolvidos na construção de estádios já perderam o sono. (Com ABr)

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