Cresce nos bastidores da política uma estratégia para desacreditar a Operação Lava-Jato

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Está em marcha um movimento de bastidor para esvaziar a Operação Lava-Jato, que se bem sucedido colocaria a perder a investigação sobre o maior escândalo de corrupção do planeta. Assim como a jornalista Miriam Dutra ressurgiu das cinzas para atacar Fernando Henrique Cardoso, manobra que tinha por objetivo mostrar à opinião pública que todos os políticos são iguais, a afirmação de uma ex-funcionária da Construtora Norberto Odebrecht de que a empreiteira trabalha com o pagamento de propinas desde a década de 80 é no mínimo duvidosa.

Então responsável pelo departamento financeiro da empreiteira soteropolitana, a ex-funcionária disse ter entregado várias vezes às autoridades a documentação que traz nomes de políticos de todos os partidos e naipes, mas agora disponibilizou a papelada ao deputado federal Jorge Sola (PT-BA), no momento em que o partido está prestes a desaparecer do mapa político nacional por conta dos muitos casos de corrupção que protagonizou ao longo dos últimos treze anos.

Essa revelação soa estranha, pois surge exatamente quando a Operação Lava-Jato aproxima-se perigosamente do lobista-palestrante Lula, ao mesmo tempo em que o processo de impeachment de Dilma Rousseff caminha a passos largos na Câmara dos Deputados, com chance de também ser aprovado no Senado Federal.

O propósito dessa manobra de bastidor é provocar indignação na opinião pública e tirar da oposição o poder de criticar o governo petista e de cobrar o fim da corrupção, mas é preciso cautela ao analisar a documentação em questão. Como sempre afirma o UCHO.INFO, política se faz com muito dinheiro, sendo que dessa premissa nenhuma legenda escapa. Ou seja, a corrupção está por todos os cantos.


Para justificar o fato de ter esperado longos anos para revelar a tal documentação, a ex-funcionária da Odebrecht, que à época foi demitida, disse que temia por represálias e retaliações. Considerando que há no Brasil um programa de proteção a testemunhas, postergar a denúncia de um crime é o que se pode chamar de conspiração contra o Estado.

Quando um cidadão se omite diante de um caso de corrupção – ou vários – e em dado momento reaparece em cena para aproveitar uma investigação em curso, o melhor seria entregar os documentos para a força-tarefa da Lava-Jato, não para um representante do PT, que luta com todas as armas para sobreviver no cenário político verde-louro.

Esses corajosos de ocasião não merecem um grama de crédito, pois servem apenas para produzir uma manchete que tem começo e meio, mas não tem fim. Quando o editor do UCHO.INFO, juntamente com o empresário Hermes Magnus, levou ao Ministério Público Federal a denúncia que culminou na Operação Lava-Jato, o fez com destemor e sem se preocupar com ameaças e retaliações. Ou passa-se o Brasil a limpo ou deixa-se o País.

De tal modo, é importante que a sociedade brasileira não dependa da classe política para apoiar a Operação Lava-Jato e cobrar o fim da corrupção, pois do contrário as investigações em curso serão varridas para debaixo da lamacenta alcatifa oficial.