Lava-Jato: Moro marca depoimentos de 10 delatores e dois investigados em ação penal contra Lula

(Edilson Dantas - O Globo)
(Edilson Dantas – O Globo)

Enquanto Lula, o dramaturgo do Petrolão, continua sonhando com o Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, aqui no Brasil quem não perde tempo é o juiz Sérgio Moro, responsável na primeira instância do Judiciário pelos processos resultantes da Operação Lava-Jato.

Nesta sexta-feira (28), Moro agendou o depoimento de dez delatores do Petrolão, do ex-deputado federal Pedro Corrêa e do pecuarista José Carlos Bumlai como testemunhas de acusação em ação penal que tem Lula como réu. O ex-metalúrgico é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no maior e mais ousado esquema de corrupção de todos os tempos, que derreteu os cofres da Petrobras.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, Lula recebeu entre 2006 e 2012, da empreiteira OAS, R$ 3,7 milhões, de um total de R$ 87 milhões em propina. As acusações contra o petista decorrem do recebimento de vantagens ilícitas por meio do apartamento triplex no Guarujá, no litoral paulista, e do armazenamento de bens do acervo presidencial, mantidos pela Granero no período entre 2011 e 2016.

Além de Lula e sua mulher (Marisa Letícia), são réus na mesma ação penal o “companheiro” Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula; José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS; Paulo Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS; Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS; Fábio Hori Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos; e Roberto Moreira Ferreira, ligado à empreiteira.


Sérgio Moro agendou para as 14 horas do dia 21 de novembro a oitiva de quatro delatores: o empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, os executivos Dalton dos Santos Avancini e Eduardo Hermelino Leite, ligados à Camargo Corrêa, e o ex-senador Delcídio Amaral.

Dois dias depois, em 23 de novembro, no mesmo horário, estão marcados os depoimentos de outros quatro delatores: o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras; Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional da petroleira; e Pedro Barusco, o ex-gerente executivo da estatal.

Em 25 de novembro devem depor três delatores: o doleiro Alberto Youssef, o operador de propinas Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, o lobista Milton Pascowitch e o pecuarista José Carlos Bumlai.

É importante lembrar que os delatores não poderão “fugir” dos depoimentos que já prestaram à força-tarefa da Lava-Jato, ou seja, a situação de Lula é extremamente complicada. No caso de Pedro Corrêa e José Carlos Bumlai a situação não é diferente. Ambos buscam acordo de colaboração premiada, portanto terão de falar a verdade em seus respectivos depoimentos, os quais certamente deixarão o ex-presidente da República a um passo da prisão.

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