Sem abandonar tese conspiratória, Trump admite pela primeira vez que pode deixar a Casa Branca

 
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou pela primeira vez que deixará a Casa Branca caso o Colégio Eleitoral vote no democrata Joe Biden, embora mantenha a tese conspiratória de fraude na eleição presidencial de 3 de novembro.

Os comentários foram feitos na quinta-feira (26) diante de repórteres na Casa Branca, após falar aos militares americanos durante o tradicional discurso do Dia de Ação de Graças. Eles parecem levar o presidente um passo mais perto de admitir a derrota.

“Certamente o farei e vocês sabem disso”, disse Trump quando um dos repórteres lhe perguntou se ele deixaria a Casa Branca caso Biden seja declarado vencedor em 14 de dezembro pelo Colégio Eleitoral. Ele afirmou ainda, embora não haja nenhuma evidência de corrupção eleitoral nos EUA, que isso será “algo muito difícil” de admitir, porque “houve fraude massiva” na eleição presidencial.

“Mas acredito que muitas coisas vão acontecer entre agora e o dia 20 de janeiro, muitas coisas”, completou, se referindo ao dia da posse do novo presidente. “Fraudes massivas foram descobertas. Somos como em um país de Terceiro Mundo.”

Ele insistiu que, se Biden for declarado vencedor das eleições, isso será “um erro” do Colégio Eleitoral, instituição que deve proclamar o novo presidente. Ele também se recusou a dizer se compareceria à posse de Biden.

Biden venceu a votação obtendo 306 delegados do Colégio Eleitoral – muitos mais do que os 270 exigidos – contra 232 de Trump. O democrata também lidera por mais de 6 milhões na contagem de votos populares.

 
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Esforços fracassados

Embora o presidente tenha autorizado medidas para implementar o processo de transição presidencial para entregar seu cargo a Biden em janeiro próximo, ele tem desafiado a tradição ao se recusar a admitir a derrota. Trump fez uma série de alegações infundadas sobre suposta fraude eleitoral e tenta contestar os resultados em vários estados através de recursos legais em estados como Pennsylvania e Michigan.

Entretanto, fracassaram todos esforços de Trump e seus assessores para anular os resultados em estados-chave, seja por meio de ações judiciais ou pressionando os legisladores estaduais.

Após a coletiva de imprensa – a primeira desde as eleições em que respondeu diretamente a perguntas de jornalistas – Trump publicou uma nova mensagem em sua conta no Twitter em que criticou a interpretação de suas palavras.

“Eu dei uma longa entrevista coletiva hoje depois de desejar aos militares um feliz Dia de Ação de Graças, e percebi mais uma vez que os meios de comunicação falsos se coordenam para que a verdadeira mensagem de tal conferência nunca seja divulgada. O principal ponto levantado foi que a eleição de 2020 foi MANIPULADA e EU GANHEI!”, sublinhou Trump. (Com agências internacionais)

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