Bolsonaro diz que “discutir hipótese não é crime”; advogados não negam tentativa de golpe

Não é das melhores a situação de Jair Bolsonaro e seus cúmplices na trama golpista. Nesta quarta-feira (26), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade tornar réus Bolsonaro e mais sete pessoas que integravam a cúpula do plano de abolição do Estado Democrático de Direito.

Logo após a decisão, Bolsonaro, que acompanhou a sessão no gabinete do filho “01”, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez um pronunciamento com ataques ao STF, a Alexandre de Moraes e ao sistema eleitoral brasileiro.

Como esperado, o ex-presidente recorreu à verborragia insana, acusando sem provas aqueles que defendem a aplicação da lei, sem privilégios, inclusive a golpistas.

A fala de Jair Bolsonaro é comprometedora, pois afirmou que “discutir hipótese não é crime”, em referência à reunião que teve com o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, em dezembro de 2022, ocasião em que o oficial militar rechaçou a proposta.

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Em depoimento à Polícia Federal, Freire Gomes disse que o então presidente da República lhe apresentou minuta golpista em encontro realizado em 7 de dezembro de 2022, após ser derrotado nas eleições daquele ano.

Se por um lado Bolsonaro admite ter discutido a hipótese de um golpe de Estado – na verdade era um plano avançado –, por outro, na sessão de terça-feira (25) da Primeira Turma do STF, durante a análise das preliminares apresentadas pelos defensores dos agora réus, nenhum advogado negou a existência do plano golpista. Limitaram-se a vociferar a alegada inocência dos respectivos clientes.

A situação tornou-se pior com a declaração do advogado do general da reserva Augusto Heleno, afirmando não haver qualquer fala do seu cliente a respeito do plano golpista. O advogado Matheus Milanez disse não haver comprovação, nos autos, qualquer fato relacionado a Augusto Heleno no âmbito da trama golpista.

Outra declaração comprometedora foi do advogado Demóstenes Torres, ex-senador e responsável pela defesa do almirante de esquadra Almir Garnier dos Santos.

Por mais de uma vez, Demóstenes questionou o fato de a PGR não denunciar os comandantes do Exército e da Aeronáutica à época. O advogado disse que o suposto grupo golpista começou a atuar em julho de 2021, mas Garnier só foi inserido em novembro de 2022, quando teria assinado nota conjunta com outros comandantes “a favor da liberdade de expressão”.

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