Trump diz que os EUA “governarão” a Venezuela até transição de poder segura

Em coletiva de imprensa concedida na tarde deste sábado (3), em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente americano, Donald Trump, disse que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela até que uma transição de poder segura possa ocorrer.

“Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”, afirmou Trump, acrescentando que as forças americanas estavam prontas para realizar uma segunda onda de ataques, “muito maior”, se necessário.

Trump enalteceu a ação do Exército americano. De acordo com o presidente americano, foi um ataque que as pessoas não viam “desde o fim da segunda guerra mundial”. “Esta foi uma das demonstrações mais impressionantes, eficazes e poderosas do poderio e da competência militar americana na história dos EUA”, destacou.

Ele disse que nenhum americano morreu na ação na Venezuela e não houve perda de equipamento, o que afasta, no primeiro momento, uma crise política interna. Trump aproveitou para alfinetar seu sucessor, Joe Biden, chamando de fiasco a retirada dos EUA do Afeganistão, durante o governo do democrata.

Direito Internacional

O Direito Internacional proíbe que um país ataque outro, mas considera duas exceções: legítima defesa imediata contra agressão sofrida ou mediante aprovação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Considerando que os Estados Unidos não sofreram qualquer tipo de ataque por parte da Venezuela e o Conselho de Segurança da ONU não autorizou o uso de força contra o regime de Caracas, a investida americana é flagrantemente ilegal.

O crime cometido por Donald Trump na Venezuela é semelhante à invasão da Ucrânia em 2022 pelo presidente russo Vladimir Putin. Na verdade, a violação do Direito Internacional por parte do Kremlin começou oito anos antes, em março de 2014, com a criminosa anexação da Península Crimeia.

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Roteiro conhecido

A investida americana contra a Venezuela repete, em termos de objetivo, os ataques autorizados pelo então presidente George W. Bush ao Iraque, em 2003, à época governado por Saddam Hussein.

Noticiada dois anos antes pelo editor do UCHO.INFO, a invasão do Iraque foi arquitetada por Richard Bruce Cheney, conhecido como Dick Cheney, então vice-presidente dos Estados Unidos. Antes de aterrissar no campo da política, Cheney foi diretor-executivo da empresa Halliburton, uma das gigantes estadunidenses do setor de petróleo.

Não por acaso, a relação entre a Halliburton e o Iraque é marcada por grandes contratos de reconstrução e logística pós-invasão, gerando bilhões de dólares em receitas e fortes críticas devido à sua relação com Cheney. Além disso, ocorreu uma enxurrada de denúncias sobre superfaturamento e favorecimento em contratos sem licitação, envolvendo serviços como fornecimento de combustível, construção e reparo de infraestrutura petrolífera, operação a cargo da empresa KBR, subsidiária da Halliburton.

Para compreender a invasão do Iraque e o ataque à Venezuela, o UCHO.INFO recomenda o filme “Vice”, cinebiografia que retrata a personalidade condenável de Cheney. Lançado em 2018, o filme foi estrelado por Christian Bale, que ganhou 18 kg e raspou a cabeça para imitar a barriguinha e a calvície do ex-vice-presidente dos EUA. O filme está disponível nas plataformas de streaming.