
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu-se nesta segunda-feira (5), para discutir a operação dos Estados Unidos que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. No mesmo momento, o ex-líder venezuelano participou de audiência de custódia em um tribunal de Nova York.
O representante do Brasil no órgão, embaixador Sérgio França Danese, disse que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela representa flagrante violação da Carta da ONU e do Direito Internacional. Assim como o secretário-geral da entidade, António Guterres, o embaixador brasileiro chamou a ação de “precedente perigoso” à comunidade internacional.
“Esses atos constituem uma afronta extremamente grave à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse Danese.
“O mundo multipolar do século XXI, que deve promover paz e prosperidade, não pode ser confundido com zonas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, destacou.
“Esse raciocínio abre espaço para conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, o que é certo ou errado, e até de ignorar soberanias nacionais, impondo aos mais fracos decisões a serem tomadas”.
China endossa críticas aos EUA
De acordo com o diplomata Fu Cong, representante da China no encontro da ONU, a captura de Maduro pelos EUA ignorou a soberania, a segurança, os direitos e os interessantes da Venezuela, além de violar princípios do Direito Internacional.
“Os Estados Unidos colocaram seu próprio poder, o unilateralismo e a ação militar acima dos esforços diplomáticos, representando uma grave ameaça à paz e à segurança na América Latina e no Caribe e, de fato, no plano internacional”, afirmou Cong. “As lições da história são um alerta contundente. Meios militares não são a solução para os problemas, e o uso indiscriminado da força apenas levará a crises ainda maiores”, completou o chinês.
Cong alertou para o fato de que “nenhum país pode agir como a polícia do mundo, nem qualquer Estado pode se arrogar o papel de juiz internacional”. “Exigimos que os Estados Unidos mudem de rumo, cessem suas práticas de intimidação e coerção e desenvolvam relações e cooperação com os países da região”, completou o embaixador.
Rússia fala em “retrocesso à ilegalidade”
O embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, criticou a ação militar dos Estados Unidos. O representante russo afirmou que a intervenção na Venezuela representou “um retrocesso à era da ilegalidade”. Ele pediu aos membros do Conselho de Segurança a “rejeição definitiva dos métodos e instrumentos da política externa militar dos Estados Unidos”.






