Apesar de dizer que continuaà frente do caso Master, Toffoli vê o cerco se fechar rapidamente

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli está no olho do furacão do Banco Master, mas continua impávido diante de uma avalanche de absurdos. Até o momento, nenhuma manifestação do magistrado sobre a epopeia que pode lhe ceifar o cargo.

Nos bastidores, apesar dos efeitos colaterais da polêmica, integrantes do STF tratam o assunto com reserva e inexplicáveis doses de corporativismo, o que representa uma afronta ao cidadão comum.

Na tentativa de salvar a pele de Toffoli, que na opinião do UCHO.INFO já deveria ter deixado a Corte, cogita-se enviar o caso Master para a primeira instância do Judiciário. Espúria, a manobra está sendo tratada como “saída honrosa” para o ministro do STF.

Considerados os recentes e revoltosos capítulos da novela que retrata a maior fraude bancária do País, remeter o caso para a primeira instância da Justiça é mero cumprimento da lei. Em outras palavras, será sanada a supressão de instâncias, que encontrou espaço na esteira de bamboleio interpretativo de Dias Toffoli. Independentemente do destino do caso, Toffoli não pode continuar ministro.

A situação de Toffoli na esfera do escândalo do Banco Master piorou sobremaneira quando tomou decisões com o objetivo de dificultar as investigações sobre os malabarismos financeiros de Daniel Vorcaro e do seu cunhado, o advogado e pastor Fabiano Zettel.

Zettel, que entrou no radar da Polícia Federal, foi sócio de dois irmãos do ministro Toffoli no resort Tayayá, localizado no município paranaense de Ribeirão Claro. O elo entre o Tayayá e o fraudulento emaranhado de fundos administrados por Vorcaro é o fundo Arleen. De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, Zettel é cotista do Arleen.

O resort dos irmãos de Toffoli foi comprado pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que trabalha para os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F. Em abril de 2025, o advogado adquiriu a participação no Tayayá que pertencia à Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF. Na época, o negócio foi estimado em R$ 3,5 milhões. Em setembro de 2025, Mario Umberto Degan, primo de Toffoli, vendeu sua parte no resort para Barbosa.

Irmão do ministro do STF, José Eugênio Dias Toffoli consta na Junta Comercial como diretor-presidente da empresa Maridt. O imóvel tem sinais de deterioração. A pintura da fachada está rachada em alguns pontos e os pisos da garagem e da calçada estão quebrados.

Procurada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, disse que desconhecer o fato de sua casa ser a sede da Maridt. Ela foi além e afirmou que desconhece qualquer ligação do marido com o resort Tayayá.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, acrescentou a cunhada do ministro do STF.

Enquanto a cunhada de Toffoli afirma que o marido jamais foi sócio do Tayayá, o dono do empreendimento garante eu os irmãos do ministro do STF detêm cotas do resort.

As declarações de Cássia Toffoli são altamente comprometedoras e servirão para turbinar eventual investigação no Congresso Nacional. Mesmo durante o recesso, deputados e senadores conseguiram assinaturas suficientes para a criação de três comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para investigar o Banco Master: uma mista (Câmara e Senado), uma do Senado e outra da Câmara dos Deputados.

A criação e a instalação dos dois colegiados dependem dos presidentes do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Eventual acareação em qualquer uma das possíveis CPIs terá efeito devastador e colocará o ministro Dias Toffoli em situação ainda pior.

Combustível extra

Na última segunda-feira (19), em entrevista à GloboNews, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou ter recebido informações de que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-comandante da Casa legislativa, Arthur Lira (PP-AL), pressionaram integrantes do Tribunal de Contas da União para reverter a liquidação do Banco Master.

“Estou tendo informações de que o atual presidente da Câmara dos Deputados e o ex-presidente da Câmara dos Deputados pressionaram e continuam pressionando o Tribunal de Contas da União, aliás, um setor do Tribunal de Contas da União, para que o Tribunal liquide a liquidação”, disse Calheiros.