Efeito prático da caminhada organizada por Nikolas Ferreira foi mais uma nuvem no céu

Astuto e oportunista, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que prega o falso moralismo rasteiro, conseguiu vender aos bolsonaristas a ideia de que a “Caminhada pela Liberdade” – da cidade mineira de Paracatu à capital federal – tinha o objetivo de defender a liberdade de Jair Bolsonaro, líder da delirante trama golpista.

A condenação de Bolsonaro, assim como as dos demais golpistas, transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), ou seja, não há possibilidade de recurso. Resta ao chefe e mentor do fracassado golpe de Estado o direito à vitimização, como forma de alcançar a prisão domiciliar. Em suma, abusar do “mimimi” para tentar comover os integrantes do STF.

Diante desse quadro, a caminhada de Nikolas Ferreira serviu para nada, considerando o objetivo divulgado previamente.

Autoridades não perceberam, ou ainda não se manifestaram a respeito do tema, mas a tal caminhada foi um ato de campanha antecipada pela reeleição. Nesse caso, a legislação vigente prevê a cassação de candidatura e consequente inelegibilidade de que fizer uso de propaganda eleitoral antecipada.

A desconexão da caminhada com o objetivo anunciado fico patente na Avenida Paulista, em São Paulo, onde, no último domingo (25), bolsonaristas que puderam participar do evento de Nikolas Ferreira se reuniram para protestar. Na ocasião, o grito dos manifestantes foi “Bolsonaro em casa”. Ora, Nikolas agarrou-se à tese de que Bolsonaro deve ser libertado, ao passo que em São Paulo defendeu-se a prisão domiciliar.

Tão logo cessaram os primeiros efeitos do raio que atingiu integrantes do ato de encerramento da caminhada, especialistas (sic) ocuparam alguns veículos de comunicação para afirmar que o evento organizado por Nikolas Ferreira conseguiu unir a direita.

Menos de 72 horas depois do fim da caminhada, a alegada coesão da direita desmoronou. Em outras palavras, o vaticínio ufanista foi pelos ares. Isso porque Ronaldo Caiado, governador de Goiás, após desembarcar do União Brasil, anunciou na noite de terça-feira (27) sua filiação ao PSD, legenda comandada por Gilberto Kassab.

Caiado não trocou de partido sem a garantia de ser candidato à Presidência. Além disso, o PSD tem em seus quadros outros dois presidenciáveis, Ratinho Júnior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Está acertado que do trio sairá um candidato do PSD ao Palácio do Planalto.

Kassab ainda está secretário de Governo na gestão de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que já declarou apoio a Flávio Bolsonaro e confirmou que disputará a reeleição.

Ex-governador de Minas Gerais e ex-senador da República, José de Magalhães Pinto é autor de célebre frase: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. No cenário político atual as nuvens podem mudar a qualquer momento, mas Bolsonaro continua preso e, por enquanto, a direita está dividida.