
A polícia do Reino Unido deteve nesta quinta-feira (19) o ex-príncipe Andrew Mountbatten Windsor, irmão do rei Charles 3°, por suspeita de má conduta em cargo público, de acordo com a imprensa britânica.
A Polícia do Vale do Tâmisa, força policial da jurisdição de Windsor, nos arredores de Londres, afirmou que Andrew estava sob suspeita de ter enviado documentos confidenciais do governo do Reino Unido ao magnata e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
No início deste mês, a polícia afirmou que estava investigando alegações de que Andrew repassou documentos a Epstein, o que foi revelado com a divulgação dos arquivos do caso pelos EUA.
Esses arquivos sugerem que Mountbatten-Windsor havia, em 2010, encaminhado a Epstein relatórios sobre o Vietnã, Singapura e outros lugares que ele havia visitado em viagens oficiais como representante especial do governo para Comércio e Investimento.
Políticos, personalidades do mundo acadêmico e famosos de todo o mundo estão nos documentos do caso Epstein. Embora os autos do inquérito sobre o caso tenham sido divulgados, ainda não é possível avaliar o grau de envolvimento de cada um dos nomes mencionados nos arquivos sobre o escândalo de abuso sexual e se outros crimes ainda virão à tona.
“A lei deve seguir seu curso”, diz Charles 3º
“Recebi com profunda preocupação a notícia sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público”, afirmou o rei Charles 3° em comunicado divulgado nesta quinta-feira.
Embora o Palácio de Buckingham não tenha sido informado previamente sobre a prisão, Charles afirmou que as autoridades contam com o “apoio e a cooperação total e incondicional” da família.
“Deixe-me afirmar claramente: a lei deve seguir seu curso […] Enquanto isso, minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês”, dizia a nota.
O ex-príncipe, segundo filho da rainha Elizabeth, morta em 2022, sempre negou qualquer irregularidade em relação ao caso Epstein e disse que se arrepende da amizade que mantinha com o bilionário.
A prisão de um membro sênior da família real, oitavo na linha de sucessão ao trono, é sem precedentes nos tempos modernos.

Investigação em andamento
A polícia não divulgou inicialmente o nome de Andrew, como é habitual na legislação britânica. Quando questionada sobre a detenção, as autoridades indicaram, através de um comunicado, que tinha sido detido um homem de cerca de 60 anos.
“Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público”, afirma o comunicado. “É importante protegermos a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com os nossos parceiros para investigar este alegado crime”, acrescentaram as autoridades britânicas.
Segundo a polícia do Vale do Tâmisa, o detido permanece sob custódia em uma delegacia. De acordo com a legislação do Reino Unido, uma prisão exige que a polícia tenha motivos razoáveis para suspeitar que um crime foi cometido e para acreditar que a detenção da pessoa é necessária. Atualmente, diversas forças policiais britânicas analisam o movimento do avião privado de Epstein em diferentes aeroportos do país para tentar averiguar se a aeronave foi utilizada pelo magnata para o tráfico de menores de idade.
Andrew e Epstein
Andrew, que completou 66 anos nesta quinta-feira, perdeu o título real após ter sido associado a um esquema de exploração sexual de mulheres e adolescentes, orquestrado por Epstein, há anos na mira das autoridades dos Estados Unidos. Uma das vítimas alegou ter sido traficada por Epstein e forçada a fazer sexo com Andrew quando tinha 17 anos.
A falecida Virginia Giuffre afirmou em 2014 que foi traficada para o Reino Unido por Epstein quando ainda era menor de idade e obrigada a manter relações sexuais com o ex-príncipe, alegação que Andrew sempre negou.
Em 2022, Andrew renunciou a algumas posições militares que acumulava. Em outubro de 2025, ele anunciou que renunciaria também a todos os seus títulos e honras reais, incluindo o de duque de York. Ele pretendia manter o título de príncipe, já que é algo que obteve por nascimento, sendo o terceiro filho da falecida rainha Elizabeth 2ª.
No entanto, uma semana depois do anúncio, o rei destituiu o título de príncipe do irmão mais novo e o expulsou de sua residência real, o Royal Lodg, numa tentativa de evitar novos danos à reputação da família real.
A pressão em torno de Andrew se aprofundou no início deste mês após e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelarem que o ex-príncipe teria fornecido a Epstein documentos sensíveis do governo britânico. (Com agências internacionais)







