
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou nesta sexta-feira (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contrário ao pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No parecer, Gonet disse que a Papudinha, onde o ex-presidente está preso, oferece atendimento médico 24 horas por dia e conta com uma unidade avançada do Samu que pode ser usada por Bolsonaro em caso de emergência.
O ex-presidente está preso no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local, conhecido como “Papudinha”, é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes. Ele cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista.
Em dezembro passado, o ministro Alexandre de Moraes negou outro pedido de prisão domiciliar feito pela defesa de Bolsonaro. Na ocasião, o ministro afirmou que o ex-presidente pode receber atendimento médico particular sem autorização judicial e há uma equipe médica para atendê-lo em caso de emergência.

Jogo de cena
Durante a pandemia de Covid-19, Jair Bolsonaro, então presidente da República, debochou da situação dos que foram alcançados pelo coronavírus, chegando a imitar pacientes com falta de ar. À época, o golpista classificou a doença como mimimi e disse que em algum momento morrerão, ignorando a dor das famílias que perderam entes queridos.
A irresponsabilidade criminosa foi além quando Bolsonaro, líder do negacionismo em relação às vacinas, sugeriu que a população utilizasse vermífugo (ivermectina) para combater o coronavírus. A estupidez de Jair Bolsonaro é tão acachapante, que ele não consegue distinguir verme de vírus.
Agora, cumprindo pena de prisão com direito a mordomias e regalias, Bolsonaro pressiona os advogados e a família com o intuito de conseguir decisão judicial favorável à prisão domiciliar.
Covarde conhecido que sempre vestiu a fantasia do falso corajoso, Bolsonaro disse em entrevista à agência de notícias Bloomberg, em 30 de janeiro de 2025, que estava “preparado” para ser preso a qualquer momento. “Durmo bem, mas já estou preparado para ouvir a campainha tocar às 6h da manhã: ‘É a Polícia Federal!’”, afirmou o golpista.

Sobre presidiários
Em 2018, Bolsonaro disse: “Bandido tem que apodrecer na cadeia. Se cadeia é lugar ruim, é só não fazer a besteira que não vai para lá. Vamos acabar com essa história de ficar com pena de encarcerado. Quem está lá fez por merecer”.
Em 2021, durante o 1° Encontro Fraternal de Líderes Evangélicos de Goiás, em devaneio discursivo, vociferou mais uma falsa profecia: “Eu tenho três alternativas para o meu futuro: estar preso, estar morto ou a vitória. Pode ter certeza que a primeira alternativa não existe”.
Derrotado na corrida presidencial de 2022 e fracassado na tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro, como todos, há de morrer um dia. Além disso, está cumprindo pena de 27 anos e três meses de prisão.
Em 7 de setembro de 2021, durante manifestação na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, provocou o Supremo Tribunal Federal ao afirmar: “Quero dizer aos canalhas que nunca serei preso”.
Durante seminário do Partido Liberal, em fevereiro de 2025, logo após a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da trama golpista, Jair Bolsonaro novamente travestiu sua covardia com a cangalha do falso corajoso: “O tempo todo isso de vamos prender Bolsonaro. Eu caguei para a prisão.”
Em novembro de 2012, durante discurso no plenário da Câmara dos Deputados contra o projeto de lei que propôs Estatuto Penitenciário Nacional, Bolsonaro reforçou sua conhecida aversão aos direitos humanos. “Para cada 400 presos, teremos 7 médicos, 3 enfermeiros, 3 odontólogos, 3 psicólogos, 3 nutricionistas, 12 professores, meia dúzia de auxiliares de enfermagem, 24 instrutores técnicos profissionalizantes, e por aí afora”, esbravejou.
Passados 14 anos do desastrado discurso, o covarde Jair Bolsonaro, com direito a atendimento médico particular sem autorização judicial e uma equipe médica para atendê-lo em caso de emergência, recorre à vitimização para tentar mudar o entendimento do STF sobre a trama golpista e seus patifes.





