Trump protagoniza espetáculo patético e mitômano durante pronunciamento do Estado da União

Com os índices de aprovação despencando, algo que já era esperado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve atuação patética no Congresso norte-americano, na noite de terça-feira (24), durante o pronunciamento do Estado da União.

Diante de plateia majoritariamente republicana, com sabujos aplaudindo a todo instante, Trump disse que os EUA vivem uma era de ouro, como se a economia do país estivesse flanando em céu de brigadeiro. Os americanos reclamam da economia e do custo de vida, mas Trump insiste em vender uma realidade paralela.

Em dado momento, quando o delírio estava nas alturas, Donald Trump ousou dizer que em dez meses conseguiu acabar com oito guerras. Na Faixa de Gaza, Trump endossou o genocídio patrocinado por Benjamin Netanyahu e propôs transformar o enclave palestino em polo turístico e reduto de empreendimentos imobiliários luxuosos.

No que tange à Faixa de Gaza, Trump criou um conselho de paz, espécie de ONU paralela, mas deixou de fora os palestinos, maiores interessados em uma solução definitiva para a região.

Em relação ao conflito na fronteira da República Democrática do Congo com Ruanda ainda não há acordo, tampouco garantia de paz. Na disputa entre Egito e Etiópia, sequer havia guerra em andamento.

O clima beligerante entre Israel e Irã não pode ser considerado guerra. Recentemente, Trump ameaçou o governo de Teerã com possível ataque, mas recuou diante da informação de que no momento os EUA não dispõem de munição para tanto.

No caso da guerra entre Ucrânia e Rússia, Trump tentou negociar um acordo de paz, mas Vladimir Putin não caiu na armadilha do homólogo estadunidense. É verdade que Putin é refém de um enorme problema criado por ele próprio, mas a guerra está longe do fim.

No caso das disputas entre Paquistão e Índia, Tailândia e Camboja, Armênia e Azerbaijão e Sérvia e Kosovo, tudo está como antes: nada decidido, nada resolvido.

Para coroar o esquizofrênico pronunciamento, Trump levou a porção republicana da plateia ao devaneio quando defendeu o uso a força para alcançar a paz. Há certa dose de coerência nessa fala. Afinal, Trump obrigou a FIFA a criar um prêmio da paz, desde que ele fosse o primeiro condecorado, e se apossou do prêmio Nobel da Paz concedido à dissidente venezuelana María Corina Machado.

Não bastasse, o inquilino da Casa Branca invadiu a Venezuela, operação que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro, e quer se apropriar do território da Groenlândia. No momento, avança o plano para sufocar ainda mais a economia cubana, que sofre com a suspensão do fornecimento de petróleo venezuelano. O objetivo de Trump é entregar Cuba nas mãos do secretário de Estado Marco Rubio, filho de exilados cubanos.