
Os fantasmas do fraudulento Banco Master continuam a rondar o Supremo Tribunal Federal (STF), empurrando a Corte cada vez mais na direção da fogueira da inquisição pública.
O ministro André Mendonça, que sucedeu a Dias Toffoli na relatoria do inquérito do Master, tem tomado decisões no mínimo questionáveis. Proibir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de ter acesso ao inquérito é absurda, pois não apenas suscita questionamentos, mas coloca em xeque a idoneidade do dirigente da corporação.
Por outro lado, ao invés de decidir para desanuviar o cenário de tempestade que se formou com a postura de Toffoli, o novo relator do caso parece disposto a manter o status quo.
O ministro André Mendonça acolheu pedido apresentado pela defesa dos irmãos de Dias Toffoli, afastando a obrigatoriedade de comparecimento à CPI do Crime Organizado para prestar depoimento.
“Ante o exposto, estando patente a objeção da defesa dos requerentes José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, defiro o pleito formulado na Petição nº 20501/2026, para afastar a obrigatoriedade de comparecimento, transmudando-a em facultatividade, deixando a cargo dos requerentes a decisão de comparecer, ou não, à ‘CPI do Crime Organizado’”, escreveu Mendonça na decisão.
Desde que o escândalo veio à tona, o UCHO.INFO tem insistido no entendimento de que Dias Toffoli não mais reúne condições para continuar ministro do STF. Não se trata de condenação antecipada, mas de poupar o Supremo de desnecessário derretimento perante a sociedade.
Enquanto os devidos esclarecimentos sobre o envolvimento da família Toffoli com o Banco Master, mesmo que indireto, não for minuciosamente esclarecido, dúvidas e teorias da conspiração surgirão a todo instante.
Apesar de nos bastidores do STF existir uma guerra de vaidades, nenhum ministro da Corte decidirá contra um companheiro de toga. Em outras palavras, a decisão de Mendonça que favoreceu os irmãos Toffoli deixou claro que o STF convive com duas situações antagônicas: quando interessa são corporativistas, quando não, são autofágicos.
A exemplo do que afirmamos em matéria publicada na edição de quarta-feira (25), ou o Supremo convence Toffoli a requerer aposentadoria antecipada ou corre o risco de enfrentar o famoso “abraço de afogados”.
Fato é que a decisão de André Mendonça que favoreceu os irmãos do ministro Toffoli veio acompanhada da fumaça do compadrio.




