Aceitar x Concordar x Respeitar

(*) Linoel Dias

Vivemos tempos em que as palavras são usadas com rapidez, mas nem sempre com sensatez. São tempos cabulosos. É só dar uma olhada, com mais atenção, nas Casas da Praça dos Três Poderes, em Brasília. A nossa Língua Portuguesa – muitas vezes humilhada – mas viva e dinâmica, acompanha as transformações da sociedade. Algumas confusões de conceito revelam, infelizmente, não apenas dúvidas linguísticas — revelam conflitos de interesses e conveniência. São três palavras próximas, que carregam universos distintos: aceitar, concordar e respeitar.

Aceitar não é se render, nem aprovar. Aceitar é reconhecer a existência de uma realidade, ainda que ela nos desagrade. É admitir algo, mesmo que não seja como gostaríamos que fosse. Aceitamos o dia chuvoso, aceitamos um diagnóstico difícil, aceitamos que o outro pensa diferente. Aceitar é também um ato de maturidade espiritual. É o primeiro passo para lidar com aquilo que não controlamos.

Concordar, por sua vez, é caminhar na mesma direção de pensamento. É compartilhar opinião, visão ou entendimento. Quando concordamos, há sintonia. Mas é impossível concordar com todos o tempo todo. Somos únicos, com histórias, formações e experiências distintas. A discordância não é sinal de guerra; é sinal de diversidade.

E então chegamos à palavra mais desafiadora: respeitar.

Respeitar não exige concordância. Respeitar é reconhecer o direito do outro de escolher, pensar e viver de acordo com sua consciência. Respeitar é um exercício de civilidade e amor. É compreender que a dignidade humana não depende da minha aprovação.

Em tempos de polarizações políticas intensas, muitas pessoas confundem respeito com concordância obrigatória. Se você não concorda comigo, dizem, então não me respeita. Mas isso não é verdade. Posso discordar profundamente e, ainda assim, tratar o outro com honra, educação e consideração. Fato muito difícil de colocar na cabeça dos nossos políticos, honrados juristas e líderes religiosos.

Do ponto de vista espiritual, aceitar é humildade; concordar é afinidade; respeitar é caráter.

A própria vida nos ensina isso. Não escolhemos todas as circunstâncias, mas podemos aceitá-las. Não partilhamos todas as ideias, mas podemos dialogar. Não pensamos igual, mas podemos conviver.

(*) Linoel Dias é jornalista e colunista do “Coisas de Agora”

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