
O embaixador do Brasil no Irã, André Veras Guimarães, afirmou estar enfrentando dificuldades para conseguir se comunicar e obter informações sobre a comunidade brasileira, em meio aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país.
Em entrevista à rádio CBN, ele estimou que cerca de 200 brasileiros estejam no Irã, sendo que muitos já deixaram Teerã por recomendação das autoridades e outros permanecem em suas casas. Ele explicou que todo o sistema de comunicação está desconectado, e a única forma de contato com o exterior tem sido por meio de comunicação satelital.
“Não temos informações das autoridades iranianas, que também não divulgam dados, possivelmente por estratégia”, contou Guimarães. “Os ataques são generalizados na cidade; no Sul, houve uma grande ofensiva agora, e isso ocorre praticamente todos os dias, às vezes duas vezes por dia. Muitas vezes sentimos o impacto mesmo quando a explosão acontece a cerca de um quilômetro de distância, por causa do deslocamento de ar.”
Ele disse que embaixada brasileira mantém canais ativos para orientar e prestar assistência aos brasileiros, mas que o contato tem sido feito de forma limitada, enquanto a população permanece recolhida.

“Temos um canal de comunicação que é por WhatsApp e por telefone, telefone ainda de linha aqui, o fixo ainda funciona, nós temos um plantão na embaixada, eu estou próximo também da embaixada. Se alguém chegar lá num horário fora do normal, eu tenho como atender a pessoa, mas as pessoas estão em suas casas, ninguém está saindo às ruas, porque há também um grande contingente de militares nas ruas e as pessoas têm medo de serem, por alguma forma, confundidos ou percebidos como um inimigo e serem feridas por conta de um engano.”
“Acabei de saber que a residência do embaixador do México foi muito danificada por estar próxima de um dos ataques e isso é só para mostrar que os ataques, mesmo sendo cirúrgicos, eles não são jogos de videogame, eles atacam e matam pessoas, sejam militares, sejam civis e, aparentemente, isso se torna uma normalidade.”
“Embora [exista] toda essa noção que se criou de que o Irã é um estado exportador de violência, exportador de terrorismo, eles não são um povo acostumado a ser atacado. Os prédios aqui não têm proteção, não são bunkers como tem em Israel”, contou Guimarães à CBN.
“Eles têm uma tradição de arquitetura e de engenharia muito grande. Então, os prédios são muito modernos, prédios com muito vidro. As pessoas estão tentando se abrigar da melhor maneira possível, mas ninguém sabe qual será o alvo e até quando se deve buscar uma estação de metrô ou um abrigo subterrâneo”, disse, relatando que não há sistema de sirenes de alerta de ataques.



